Moradores do bairro Candeias e de outras localidades de Vitória da Conquista voltaram a relatar o aumento na presença de marimbondos em residências e áreas urbanas. O aparecimento frequente desses insetos tem gerado preocupação, principalmente entre famílias com crianças, idosos, pessoas alérgicas e tutores de animais domésticos.

As vespas vivem em colônias e costumam construir ninhos em locais protegidos, como beirais, telhados, forros e garagens. Apesar do temor causado pelas ferroadas — que podem provocar reações dolorosas e, em alguns casos, graves — esses insetos desempenham papel importante no equilíbrio ambiental, atuando como polinizadores e controladores naturais de pragas ao se alimentarem de outros insetos.

Embora o aumento da presença desses animais seja mais comum na primavera, ainda não há uma explicação definitiva para o fenômeno registrado neste período de outono. Uma das hipóteses levantadas é que as chuvas dos últimos meses tenham contribuído para a divisão das colônias, provocando deslocamentos e maior incidência em áreas urbanas.

Síndica de um condomínio na área alta da cidade, onde os moradores têm relatado a aparição dos marimbondos, Angélica Freitas afirma que a administração acompanha os relatos e orienta medidas preventivas para reduzir os riscos.

“Quando os moradores começaram a relatar o aparecimento frequente dos marimbondos nas unidades, antigamente acionávamos o Corpo de Bombeiros para tentar entender como poderíamos agir diante da situação. A orientação recebida foi evitar o uso de inseticidas, porque isso pode tornar os insetos mais agressivos. O que passamos aos moradores é para manter as janelas fechadas quando houver movimentação”, explicou.

Segundo ela, o monitoramento acontece diariamente por meio da comunicação entre moradores e administração do condomínio. “Os relatos que recebemos diariamente mostram que os marimbondos aparecem sempre em áreas específicas, próximas às janelas dos blocos. Os próprios moradores avisam nos grupos e, quando alguém percebe movimentação, alerta os demais para que fechem as janelas. Então conseguimos identificar períodos em que esse aparecimento é mais frequente”, relatou.

A síndica ressalta ainda que o problema não é isolado. “Essa não é uma situação exclusiva do nosso condomínio. Outros condomínios da área alta e diferentes pontos da cidade também têm registrado esse aparecimento. Sabemos que é algo que acontece em vários locais nesta época do ano. A administração acompanha os relatos, orienta os moradores e busca agir da forma mais segura possível, sempre priorizando a segurança de todos”, completou.

De acordo com a professora Generosa Ribeiro, bióloga, doutora em Ciências Agrárias e especialista em abelhas, o aparecimento frequente de vespas em ambientes urbanos ocorre mais do que a população imagina. “O aparecimento frequente de vespas em áreas urbanas é mais comum do que parece, especialmente em períodos mais quentes, com lixo exposto e locais protegidos para construção dos ninhos”, explicou.

Segundo a especialista, as espécies mais encontradas em ambientes urbanos são a vespa de papel (Polistes versicolor) e a vespa amarela (Vespula vulgaris), que encontram nas cidades condições favoráveis para estabelecer suas colônias.

Entre os principais fatores que atraem esses insetos estão restos de alimentos, frutas maduras, lixo exposto, bebidas açucaradas, jardins com flores e insetos — que servem de alimento para as larvas — além de locais protegidos da chuva e do sol. “O calor e os ambientes abrigados também favorecem a presença dessas espécies, que preferem áreas quentes e seguras para formar seus ninhos”, acrescentou a pesquisadora.

Especialistas orientam que, ao identificar ninhos ou grande concentração de marimbondos, a população evite tentar removê-los por conta própria, devido ao risco de ataques. A recomendação é  acionar o Corpo de Bombeiros Militar do município para a remoção segura. 

O aumento na ocorrência reforça a importância da adoção de medidas preventivas, como manter o lixo armazenado adequadamente, evitar acúmulo de restos de alimentos em áreas abertas e observar possíveis pontos de instalação de ninhos em residências.