Nesta segunda-feira (18) é celebrado o Dia Nacional da Luta Antimanicomial, que simboliza a luta pelos direitos das pessoas com sofrimento mental, defendendo o tratamento humanizado, em liberdade e sem isolamento. Em Vitória da Conquista, o acolhimento é realizado por meio de três Centros de Atenção Psicossocial (Caps), que são unidades do Sistema Único de Saúde voltadas para o acolhimento, tratamento e reinserção social de pessoas com transtornos mentais severos ou dependência de álcool e outras drogas, bem como a Residência Terapêutica e o Ambulatório de Saúde Mental.

Por meio do Caps II, Caps AD III e o Caps IA, a Residência Terapêutica e o Ambulatório de Saúde Mental, a Prefeitura de Vitória da Conquista, através da Rede de Atenção Psicossocial (Raps), vinculada à Secretaria Municipal de Saúde (SMS), garante acesso e cuidado às pessoas que apresentam algum tipo de sofrimento mental decorrente de transtorno ou do uso prejudicial de álcool e outras drogas. Com uma visão humanizada e inovadora, a Raps integra o SUS e promove a garantia de direitos humanos para além do cuidado e acompanhamento de saúde. Estão incluídos na Raps os Centros de Atenção Psicossocial (Caps), unidades de acolhimento e leitos em hospitais gerais.

No Caps Álcool e outras Drogas (Caps AD) III, onde são atendidas 1.200 pessoas por mês com dependência alcóolica e química, a gerente Tâmara Andrade Cafezeiro destaca que ao contrário de antes, quando as pessoas eram jogadas em manicômios, muitas das quais não tinham sequer adoecimento mental, hoje elas têm direito de escolher o tratamento. “”Ter o cuidado e liberdade, serem protagonistas das suas próprias vidas, enxergadas como seres humanos que têm deveres e também direitos, e isso antes era totalmente negligenciado”, disse.

Já o Caps II atende aproximadamente 4.600 pacientes ativos, com oferta de atendimento de saúde, apoio psicológico, terapia, oficinas de artesanato e mandalas para as pessoas que estão com alguma deficiência mental e não utilizam substâncias ilícitas. Para a psicóloga do Caps II, Joísa Ramalho, com o modelo anterior do hospital psiquiátrico, não se tinha exatamente uma dimensão de tratamento, mas uma reclusão das pessoas indesejadas. “Os Caps surgiram como estruturas substitutivas e territoriais aos modelos anteriores, para promover, de portas abertas, esse cuidado de liberdade, autonomia, proximidade com as famílias, com o lugar de viver, de morar, de trabalhar. O cuidado tende a não ser o Caps como uma estrutura final, mas como um ponto de partida para recuperação dessa vida em sociedade”.

Paciente ativa no Caps II há 22 anos, A.C.L.A. sofre com transtorno há cerca de 30 anos. Moradora do bairro Brasil, já precisou ficar internada algumas vezes. No Caps, ela disse que o tratamento melhorou e teve menos crises. “Espero que o Caps cresça, que pacientes ao passar por ele aprendam a viver com a alta, só pegando a receita e tomando a medicação certa, com o apoio da família e amigos que ajudam muito, como aconteceu comigo. Precisamos nos aceitar melhor, mas a sociedade também precisa ajudar, nos aceitando melhor”.

Voltado para crianças e adolescentes, o Caps IA tem 3.841 pacientes ativos e cerca de 50 atendimentos por dia. AQ unidade oferece atendimentos psicológico, psiquiatra, neuropediatra, homeopata, ed. física, farmácia, equipe enfermagem, nutricionista, pedagoga, oficinas de artes, artesanato, mandalas, reciclagem, atendimento individualizado, além de grupos específicos para crianças, adolescentes e os pais.

Além dos Caps, Vitória da Conquista disponibiliza também a Residência Terapêutica, que hoje tem cinco internos que ficam 24 horas na unidade, recebendo cuidados de higiene pessoal, alimentação e medicação prestados por uma equipe de 11 servidores. Os internos participam de passeios pela cidade, viagens à praia, acompanhamento pelo Caps e atendimento clínico de saúde na Unidade de Saúde Régis Pacheco.

Há um ano morador na localidade, Adalberto Ribeiro Silva, é de Vitória da Conquista. Ele passou por internações em São Paulo e depois ficou um período em um hospital de Salvador, local que ele não gostava devido ao grande número de pessoas. “Se eu tivesse tomado o remédio certinho minha vida seria outra. A consciência para isso demorou mais de 40 anos. Tomava, achava que estava bem e parava”.

O interno Adalberto Ribeiro Silva elogiou o trabalho da Residência Terapêutica. “Minha convivência aqui é boa, sou bem cuidado, tenho minhas roupas lavadas, alimentação e remédio na hora certa”. Ele já tinha passado por internações em São Paulo e Salvador, e acredita que retornar para Vitória da Conquista, sua terra natal, e receber os cuidados na Residência Terapêutica lhe ajudaram a desenvolver certa autonomia, como tomar banho sozinho e ir à igreja aos sábados com um familiar.

No Ambulatório Mental o atendimento é para aqueles que têm encaminhamento médico. Também tem a demanda espontânea, com acolhimento para entender a real necessidade do paciente. Funciona no Centro Municipal de Atendimento Especializado (Cemae), para maiores de 18 anos, com horário de atendimento das 8h às 17h. O local tem 10.995 cadastros ativos, com média de 70 atendimentos diários.

Dia Nacional da Luta Antimanicomial – A data foi instituída em 18 de maio de 1987, no Encontro dos Trabalhadores da Saúde Mental em Bauru (SP), com o lema “Por uma sociedade sem manicômios”. Tem por o objetivo a substituição do modelo de internação hospitalar (manicômios) por uma rede de cuidados humanizada e comunitária, focada na autonomia do paciente. A Lei nº 10.216/2001 (Lei da Reforma Psiquiátrica) garantiu a proteção e os direitos das pessoas com transtornos mentais, redirecionando o modelo assistencial.