Desenvolvimento Econômico
Postado em 11 de julho de 2026 as 09:15:25
A história da cafeicultura em Vitória da Conquista e região está preservada no Arquivo Público Municipal, onde documentos, fotografias, jornais, registros administrativos e outros materiais históricos ajudam a contar a trajetória de uma das atividades econômicas que marcaram o desenvolvimento do município.
Entre os acervos estão exemplares de periódicos, registros de cooperativas, documentos oficiais e publicações que retratam diferentes fases da produção cafeeira, permitindo que pesquisadores, estudantes e a população conheçam a importância do café na formação econômica e social da região. O material preserva informações sobre produtores, instituições e acontecimentos que contribuíram para consolidar Vitória da Conquista como uma das principais áreas produtoras de café da Bahia.
O cultivo do café no Planalto da Conquista não é algo recente na região. Em sua obra “História de Conquista: crônica de uma cidade”, o memorialista e professor Mozart Tanajura afirma que “por volta dos séculos XVIII e XIX já havia aqui, nas terras do Planalto, o plantio rudimentar de café”.
Mas o café no sertão baiano teve o seu apogeu no início da década de 70, período em que a cidade teve o seu desenvolvimento econômico mais promissor. Antes da economia cafeeira, grande parte das terras de Vitória da Conquista e Barra do Choça era usada para cultivo de milho, feijão e mandioca e, também, pela pecuária da região.
Com o cultivo do café, a cidade de Vitória da Conquista registrou um grande progresso, expandindo-se por diversos bairros e, em poucos anos, se transformou em cidade de médio porte. Grande parte da área de mata da região do Planalto da Conquista, na época, foi adquirida por profissionais liberais, que viram nas lavouras uma ótima fonte de investimentos. Além desses, diversos fazendeiros e empresários adquiriram lotes maiores para investir no plantio de café.
- Valéria Vidigal
- Fazenda Vidigal
Com uma trajetória ligada à história da cafeicultura, a produtora e artista plástica Valéria Vidigal decidiu unir o cultivo do café à arte. “Quando adquirimos a Fazenda Vidigal, eu disse que ela seria diferente. Queria fazer deste lugar um espaço onde o café e a arte caminhassem juntos. Comecei a pintar em 2003, tendo o café como temática exclusiva, e isso trouxe uma nova forma de enxergar essa cultura. Além da produção de cafés especiais, contamos, por meio das obras de arte, a história da nossa região. Agora, com a Flicaf, buscamos ampliar esse trabalho, preservando e compartilhando a memória histórica do Planalto da Conquista”.
A Feira Literária do Café (Flicafé) é um movimento cultural que une literatura, arte e tradição cafeeira no Planalto da Conquista. O evento integra o Encontro Nacional do Café e reúne lançamentos de livros, palestras, oficinas, exposições e o fomento ao turismo rural.
Sobre o Arquivo Municipal
Criado em 1978, por meio da Lei nº 160/78, o Arquivo Público Municipal é responsável pela guarda, organização e preservação de milhões de documentos produzidos pelos poderes Executivo e Legislativo, além de acervos históricos de interesse para a memória da cidade. O espaço reúne documentos textuais, fotografias, mapas, plantas arquitetônicas, jornais e outras coleções que registram diferentes períodos da história conquistense.
Historiador do Arquivo Municipal há mais de 15 anos, Jailson Ribeiro afirma que além do cultivo do café, outros fatores também contribuíram para o desenvolvimento de Vitória da Conquista. “A implantação da lavoura cafeeira alavancou o desenvolvimento econômico do município. O clima ameno e os incentivos do Instituto Brasileiro do Café foram essenciais, mas também tivemos outros fatores, como a pavimentação da BR-116, a construção da Barragem de Água Fria I e a Construção do Centro Industrial dos Imborés, que possibilitaram a implantação e a comercialização do Café no Planalto Conquistense”.
Ao preservar o patrimônio documental relacionado à cafeicultura, a Prefeitura fortalece a memória coletiva e garante que as futuras gerações tenham acesso a um importante capítulo da história regional, valorizando uma atividade que impulsionou a economia, gerou empregos e ajudou a construir a identidade de Vitória da Conquista e do Sudoeste baiano.








