Com o apoio da Secretaria Municipal de Cultura e da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb), foi realizado o I Encontro da Rede de Leitura Inclusiva de Vitória da Conquista para articular instituições e profissionais com interesse em leitura inclusiva. O objetivo é efetivar um Grupo de Trabalho (GT) e integrar Vitória da Conquista à Rede Nacional de Leitura Inclusiva. O evento foi realizado nesta quinta-feira, 19, na Casa Memorial Régis Pacheco.

A Rede Nacional de Leitura Inclusiva é uma proposta da Fundação Dorina Nowill. Localizada em São Paulo, há cerca de cinco anos, a instituição vai a cidades de todo o Brasil apoiar e desenvolver ações de fomento à leitura inclusiva. A representante da Fundação, Perla Assunção, veio conhecer e mobilizar os articuladores da área em Vitória da Conquista.

Para ela, a concepção da leitura inclusiva é a de permitir que a informação esteja acessível a todos. “E nesse ‘todos’, muitas vezes as pessoas com deficiência estão de fora. Não se pensa no público leitor com deficiência, que precisa de um recurso acessível. O livro, que é o maior instrumento da leitura, precisa estar adaptado, estar em um formato que esse público consiga acessar”, explica. Por isso, é preciso criar condições e incentivar que as pessoas com deficiência façam parte do público leitor.

Mércia Andrade, que gerencia a Casa Memorial Régis Pacheco, conta que a iniciativa tem como objetivo buscar novos parceiros, efetivar o Grupo de Trabalho e fortalecer as ações municipais. Por isso, esse primeiro encontro é fundamental: “Para que a gente esclareça e mostre para as pessoas a importância desse trabalho colaborativo e inclusivo, para que todos possam ter direitos garantidos de acesso à leitura, é esse o propósito”.

De acordo com a psicóloga e professora da Uesb, Selma Matos, o evento vem para trazer atividades de reflexão sobre o que é a ação em rede para o fomento da leitura inclusiva. “Ou seja, é preciso um trabalho de incentivo às práticas de leitura para aqueles que historicamente sempre estiveram à margem desses processos, como as pessoas com deficiência”, afirma.

Representantes de diversas instituições que trabalham com pessoas com deficiência estiveram presentes no encontro. Uma delas foi Jaqueline França, da Central de Interpretação de Libras (CIL), vinculada à Secretaria Municipal de Educação. Ela fala sobre a expectativa em torno do evento: “Eu espero que esse encontro venha a contribuir para a comunidade surda de Vitória da Conquista, e dar uma oportunidade também para nós, enquanto educadores e pesquisadores, aprofundarmos mais nosso conhecimento sobre a Língua Brasileira de Sinais e a sua adaptação da língua portuguesa para a comunidade surda, para a literatura surda e a comunicação dos surdos.”