Um baile de carnaval, realizado na tarde desta quarta-feira, 19, animou os usuários dos Centros de Atenção Psicossocial II e Álcool e Drogas (Caps AD), ligados à Secretaria Municipal de Saúde de Vitória da Conquista. Assim como nos demais procedimentos terapêuticos adotados pelos órgãos, o caráter democrático prevaleceu no evento: os usuários participaram de todas as etapas da organização festa, desde a escolha do local até a seleção do cardápio mais adequado. É assim em todas as ocasiões festivas do ano.

Durante a folia, tornou-se apenas um detalhe o fato de todos ali serem portadores dos chamados transtornos severos e persistentes – entre os quais se incluem a depressão, o transtorno afetivo bipolar e a esquizofrenia. Eram, portanto, apenas foliões preocupados somente em se divertir.

Rudh Nunes Oliveira

Socialização– “Aqui eu me dou bem com todo mundo”, disse o usuário Rudh Nunes Oliveira, de 30 anos, durante um breve intervalo do baile carnavalesco. “Gosto muito destas reuniões. Isso enturma mais as pessoas”, acrescentou Rudh, que há dez anos é atendido pelo Caps II.

Diagnosticado com transtorno bipolar, ele participa de oficinas oferecidas pelo serviço. “Isto aqui é tudo para mim. É minha segunda família”, sintetiza. Rudh inscreveu-se em quase todas as oficinas – inclusive como monitor – e descobriu uma inesperada atração pela arte dramática.

A oficina de teatro serviu-lhe como uma libertação momentânea. “Sou muito tímido. Mas, quando entro num personagem, preciso mostrar a que ele veio”, observa. “Tudo o que é movido a arte, música e teatro, é comigo mesmo”. Ainda de acordo com o usuário, o Caps II é a sua segunda casa “sou tão enturmado com o Caps que os outros usuários pensam que sou funcionário do serviço”, brincou.

Maria Luisa e Edna Santos

Interação familiar – A irmã da comerciante Maria Luisa, Edna Santos, 51, é atendida pelo serviço desde que ele foi implantado no município. De acordo com Maria, sua irmã se desenvolveu muito mais desde então. “O Caps foi fundamental para o desenvolvimento da minha irmã, hoje ela consegue se socializar mais com a família e participa de uma série de oficinas oferecidas no serviço”, disse.

Átila Patez

Melhor Convivência – Cada um dos 320 usuários do Caps II tem seu projeto terapêutico individual, organizado pela equipe multidisciplinar. O tratamento com medicamentos é complementado com a participação dos usuários em atividades internas, como oficinas. “Procuramos sempre estimular a convivência dos usuários dos serviços tanto com os outros usuários como com as pessoas lá fora”, explicou o gerente do Caps II, Átila Patez. O atendimento é feito com base na demanda espontânea. Quando alguém procura pelo Caps II e o caso não se encaixa no perfil do público-alvo, a equipe o encaminha ao serviço onde poderá ser atendido.

O Caps II funciona no Hospital Crescêncio Silveira, localizado na Rua Antônio Pereira, s/n, Centro. O telefone é (77) 3422-9392.