Com o retorno integral das crianças às creches e escolas, e a socialização entre elas, a quantidade de vírus circulantes na infância voltou a aumentar, como é o caso da doença Mão-Pé-Boca (DMPB). As secretarias municipais de Saúde e Educação têm trabalhado em conjunto para que a comunidade escolar esteja orientada para lidar com a transmissão dessas infecções comuns na infância.

A coordenadora da Vigilância Epidemiológica (VIEP), Amanda Maria Lima, explica que a síndrome é causada por um vírus que sempre existiu, mas que registra esse aumento por conta da retomada da socialização na primeira infância. “Elas estavam sem contato algum com outras crianças e essa volta dos contatos fazem com que vários vírus da infância voltem a circular com frequência e existem mais de 150 deles. É por isso que precisamos avaliar para fazer o manejo dessas infecções corretamente”, esclareceu a coordenadora.

Apesar da doença não ser classificada como notificação compulsória, quando é obrigatório informar as ocorrências no sistema de informação federal, desde 2019 a VIEP tem monitorado a doença por meio de informações de prontos-socorros de pediatria da rede SUS, com interesse de vigilância local para fazer o diagnóstico diferencial para outras doenças exantemáticas (relacionadas à erupção cutânea).

Em 2019, o vírus da DMPB foi percebido em circulação no município, registrando 219 casos. Já em 2020, foram registrados 44 casos e 52 no ano de 2021, reflexo da suspensão das aulas presenciais e isolamento social. Em 2022, com o retorno das aulas em formato presencial, o número voltou a crescer, registrando, até agora, 354 casos. Lembrando que esse número é uma parcial, podendo haver casos não notificados pela rede privada de saúde.

Formação do corpo escolar na rede municipal de educação

Desde o mês de fevereiro, o alerta sobre a síndrome Mão-Pé-Boca já havia sido feito para as unidades escolares da rede municipal e, em nove delas, foram registrados surtos da doença, quando há dois ou mais casos relacionados entre si.

Nessa terça-feira (19), os gestores escolares das creches e unidades escolares da Educação Infantil participaram de uma formação, conduzida pela equipe de Vigilância Epidemiológica (VIEP), com o intuito de abrir a discussão sobre as doenças na infância, o contágio e a prevenção.

A coordenadora operacional do Busca Ativa Escolar, Emília Guimarães, conta que, com a redução da contaminação por Covid-19, foi observado uma grande quantidade de casos da síndrome nas unidades escolares municipais. “Alguns gestores notificaram a Smed, relatando os casos, e aí fazemos essa intervenção junto à Vigilância Epidemiológica, até mesmo com palestras para os pais para orientações e esclarecimentos, e também para os gestores saberem conduzir adequadamente, porque a falta de informação gera dúvidas”, pontuou.

Nesses casos, as unidades escolares têm feito o afastamento da criança das atividades escolares em caso de sintomas característicos da doença, orientando aos pais que leve a criança até a Unidade de Saúde mais próxima, para diagnóstico e orientações médicas. A criança volta a frequentar a creche ou escola após a melhora dos sintomas, que pode levar de 5 a 7 dias.