Meio Ambiente
Postado em 9 de junho de 2026 as 17:13:32
Durante a programação desta tarde da Semana do Meio Ambiente, promovida pela Prefeitura de Vitória da Conquista, por meio da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, foi realizado o lançamento do projeto Carroça Legal. Coordenada pela Secretaria Municipal de Ordem Pública (Semop), a iniciativa integra o Plano Plurianual do município e visa cadastrar, identificar e monitorar os veículos de tração animal e os animais de grande porte da cidade.

O projeto foi apresentado durante o Painel 3 da Semana do Meio Ambiente, no Centro de Cultura, cujo tema debateu as “Políticas Públicas Integradas para o Bem-Estar Animal e Saúde do Coletivo na Gestão Municipal”.
O coordenador de Licenciamento e Fiscalização, Joelson Moreira, explicou que o intuito inicial é mapear a atividade na Zona Urbana. “Esse projeto veio com o intuito de poder cadastrar todos os carroceiros e todos os animais de grande porte do município, pois grande parte deles a gente já atende lá no curral”, informou.
Moreira detalhou que a estrutura de acolhimento do município passou por reordenamento para garantir o bem-estar dos animais. “Hoje, na verdade, o curral deixou de ser um lugar apenas para apreensão; nós temos um veterinário técnico responsável e damos assistência para todos os animais que chegam lá”, pontuou o coordenador, acrescentando que a modernização do monitoramento continuará avançando: “Futuramente, a gente pretende microchipar esses animais para que a gente consiga ter um controle maior”.

Moreira
O diferencial do Carroça Legal reside na inclusão dos trabalhadores e de seus núcleos familiares nas redes de apoio do município. “Inclusive, no sábado, nós vamos ter também a primeira etapa, junto com a parceria de uma instituição aqui do município, quando nós vamos começar a fazer o atendimento, inclusive não só ao animal, mas também ao carroceiro e ao familiar desse carroceiro, que também é público-alvo do nosso programa”, ressaltou o coordenador. Moreira enfatizou o caráter social da política pública ao concluir que o objetivo “não é só dar assistência ao animal, como também ao carroceiro e a toda sua família”.
Debates integrados sobre Saúde Única e biotecnologia
O lançamento do Carroça Legal coroou as atividades vespertinas do evento, que também contaram com discussões de relevância científica e ambiental. No Painel 2, sob o tema “Bem-Estar Animal, Meio Ambiente e Saúde Pública”, a coordenadora do Serviço de Uma Só Saúde da Fiocruz (ICTB), Dra. Ana Cristina Araújo Pinto, defendeu o conceito de Saúde Única (One Health), que correlaciona a saúde humana, animal e ambiental.
“Nós temos vários trabalhos e um deles é cuidar dos animais que são abandonados dentro dos campos da Fiocruz na cidade do Rio de Janeiro”, relatou a médica veterinária, pontuando que o controle sanitário urbano previne problemas coletivos. “Os animais, além de maus-tratos e sofrimento, vão trazer zoonoses, acidentes por atropelamento, mordidas. Então a gente tem que ter todo um trabalho educacional com a população. A gente faz todo manejo populacional, faz a castração, a gente microchipa, vacina, cuida deles”. Ana Cristina elogiou a iniciativa do município baiano: “Se todo o município fizesse isso que vocês estão fazendo aqui, a gente iria reduzir muito os problemas da humanidade, das pessoas, do meio ambiente, dos animais”, detalhou Ana Cristina
A programação técnica trouxe ainda o painelista Gabriel Mendes, mestrando em Zootecnia Celular pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), que apresentou o uso da biotecnologia voltada à preservação da fauna do Nordeste. O pesquisador explicou o potencial de métodos alternativos baseados em proteínas vegetais, cultivadas ou fermentadas.
- Ana Cristina
- Gabriel Mendes
“Uma das linhas de pesquisa do nosso laboratório na UFPR, em Curitiba, é a produção de colágeno de jumento a partir de uma tecnologia chamada fermentação de precisão”, afirmou Mendes. De acordo com ele, a aplicação prática visa frear o declínio populacional da espécie na região. “Com esse projeto, a gente busca salvar da linha de abate de vários jumentos. Está acontecendo uma crise extremamente extrativista de jumentos aqui no Brasil, na região Nordeste, com um abate massivo e uma redução populacional bem significativa. O nosso objetivo é produzir o mesmo colágeno, que é exportado para a medicina tradicional chinesa, a partir de um método alternativo”, fundamentou.
Integração com a comunidade acadêmica
O evento propiciou uma aproximação entre a comunidade local, estudantes de graduação e cientistas. Ester Sampaio, estudante de Ciências Biológicas da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb), que esteve presente com o projeto Instituto de Aquarologia, destacou que a abertura do debate qualifica a preservação ambiental. “Trazer essa discussão para a população, para os estudantes, é muito importante, porque a gente sabe que se a gente conhece, a gente protege. Sem conhecimento, sem entender, a gente não tem como falar sobre preservação”, avaliou.
- Ester
- Júlia
A estudante Júlia Lorena Oliveira, que cursa o sétimo semestre de Biologia na Uesb, destacou o impacto positivo de dialogar diretamente com especialistas de outras regiões do país. “Acho muito interessante porque meio que traz esses grandes nomes da ciência, que muitas vezes a gente só ouve falar, para estar aqui ao vivo com a gente, começando, falando um pouquinho mais sobre o trabalho deles e também conhecendo o nosso trabalho. Então é uma ponte de conexão entre a universidade, a sociedade e a ciência como um todo”, concluiu.













