Articular, promover e executar programas de cooperação com outros órgãos municipais, públicos ou privados, voltados à implantação de políticas públicas para a juventude, e atender as diversas entidades organizadas da juventude, auxiliando o encaminhamento de suas demandas junto aos órgãos municipais, são alguns dos objetivos da Coordenação Municipal de Juventude, ligada à Secretaria Municipal Desenvolvimento Econômico (SMDE).

Com esse entendimento, o setor deu início, na manhã desta terça-feira (28), o projeto Lamparina, cujo foco é a promoção de debates sobre a saúde mental dos jovens, nas instituições de que eles participam ou naquelas que os atendem diretamente. A ação inicial foi uma roda de conversa em “Saúde Mental: juventude e direitos humanos” com integrantes da Guarda Municipal que atuam nas rondas escolares e nos grupamentos comunitários, um espaço de formação para reflexões e debates promovida no auditório da SMDE.  O encontro foi conduzido pela psicóloga Luciana Pires, juntamente com estagiárias do sétimo semestre do curso de Psicologia da Faculdade Independente do Nordeste (Fainor), que são supervisionadas no Centro Integrado de Direitos Humanos (CIDH).

O objetivo da ação, de acordo com o coordenador municipal da Juventude, Anderson Rocha, foi o de ampliar as perspectivas sobre a juventude ao estimular a desconstrução de alguns estigmas, discutir aspectos relevantes das políticas públicas para esse segmento, e buscar estreitar temas como a segurança pública e juventude, além de contextualizar conceitos relacionados à cidadania, diversidade de gênero e sexual, sociocultural e étnico racial.

“Nossa ideia é a de englobar várias categorias, por meio da discussão da saúde mental, com os jovens como tema central. Começar pela Guarda Municipal é importante para a gente poder criar um ambiente urbano mais seguro, inclusivo, pensado em direitos humanos, com abordagens adequadas, de maneira que a juventude é uma categoria que está em fase de desenvolvimento pessoal e social, e tem inúmeros desafios que precisam ser debatidos nesse sentido, a exemplo da violência física e verbal”, explicou o coordenador.

Da direita para à esquerda, Anderson Rocha, Luciana Pires e estudantes da Fainor

Saúde Mental e Violência – Em todas as regiões do Brasil, a faixa etária dos jovens-adolescentes (15 aos 19 anos) forma o principal grupo de vítima de violência, segundo o relatório Panorama da Situação de Saúde dos Jovens Brasileiros de 2016 a 2022: Intersecções entre Juventude, Saúde e Trabalho, divulgado em dezembro de 2023 pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

De acordo com a psicóloga Luciana Pires, as temáticas da saúde mental, segurança e violência andam de mãos dadas. “Nossa proposta de trabalhar hoje com os agentes relacionados à segurança é a de possibilitar um espaço que sensibilize esses profissionais para a importância de uma atuação respeitosa, na qual conyribua uma condição de existência digna dos jovens que ocupam e se apropriam dos espaços públicos, especialmente aqueles que fazem parte de grupos minoritários e vulneráveis”, afirmou.

Wamária

Com relação a essa discussão, a comandante Wanária Ferraz, disse ser de fundamental importância que os agentes da Guarda Municipal façam parte, de maneira que contribui para a mitigação de situações de violência. “Nós lidamos com diversos públicos, com orientações diversas. Então, essa roda de conversa é importante até mesmo para refletirmos sobre a nossa abordagem, a maneira com que nos impomos na situação, o trato com o outro, e encontrarmos juntos meios comuns e mais assertivos. Quanto mais a gente tiver esse olhar sensível para a comunidade, melhor será o nosso trabalho”, explanou Wanária.