A propósito de queixas pontuais feitas do Samu 192, acerca de eventuais recusas para o transporte de pacientes de um hospital a outro, com o objetivo de realização de exames ou mesmo internação, a coordenação do órgão esclarece que esta não é uma atribuição do serviço móvel de urgência e emergência.

Segundo a coordenadora do Samu 192 regional, Gileaide de Oliveira Santana, o transporte de pacientes entre hospitais só ocorrerá em casos de extrema necessidade. “Apenas se o paciente estiver em risco iminente de morte, estando em um hospital e precisa sair dele para ir a outro que lhe garanta a vida naquele momento. Não é para fazer transporte inter-hospitalar de forma corriqueira”, pontua a coordenadora.

Dr. Sandro Bahia

Já o coordenador médico do serviço em Vitória da Conquista, Dr. Sandro Bahia, explica  que o objetivo do serviço é atender, essencialmente, às pessoas que sofrem agravo à saúde em ambiente pré-hospitalar, embora o transporte de pacientes possa ser oferecido, como afirmado por Gileaide, em casos de emergência (risco de morte ou dano gravo à saúde) ou alta complexidade.

Ambos esclarecem que leva-se em consideração que o hospital de origem não tem o recurso adequado de suporte a vida do paciente, dando o mesmo valor nesse caso a uma urgência em via pública.

Essas considerações, segundo o coordenador médico, são norteadas por legislação específica e têm como foco priorizar as urgências pré-hospitalares, situação em que o paciente não tem nenhum suporte médico até que a unidade móvel o atenda.

“Lembro que no caso do transporte inter-hospitalar o paciente já está em ambiente hospitalar, acolhido e sob cuidados médicos, sendo desta unidade a responsabilidade legal sobre ele”, entafiza Sandro Bahia.

Atendimento rigoroso

O Samu 192 já atua em Vitória da Conquista e na região há 18 anos, mesmo com esse tempo, ainda existem pessoas que não conhecem a forma de atuação do serviço. Há registro de reclamações, por exemplo, sobre as perguntas que são feitas pelos médicos quando atendem às ligações.

Gileaide Santana

Segundo Gileaide Santana, trata-se de um procedimento que é seguido de forma rigorosa pelos profissionais que trabalham nesse atendimento, para atender aos protocolos necessários para garantir um bom atendimento à comunidade.

“O médico precisa questionar para verificar se realmente é caso de emergência para definir com acerto o tipo de ambulância ele vai mandar”, diz ela e enfatiza que a natureza do serviço oferecido pela equipe está explicitada na sigla que o define: Serviço de Atendimento Móvel de Urgência. Ou seja, isso explica qual a prioridade a ser observada: urgências comprovadas.

“Temos vários protocolos para ser seguidos. A pessoa liga para cá, o médico faz os questionamentos e existe uma classificação de riscos, do mesmo jeito que existe na porta dos hospitais, onde a pessoa chega, passa por uma classificação de riscos, se é verde, amarelo ou vermelho.

E a depender dessa classificação de riscos é que é priorizado ou não o atendimento”, explica a coordenadora. O atendimento, caso seja necessário, de acordo com os questionamentos constantes do protocolo, é oferecido antes que o paciente chegue ao hospital – e o transporte do paciente até a unidade hospitalar obedece à mesma lógica.

“Nós classificamos se é para mandar o carro ou não. Se não for, o médico orienta a pessoa que ligou a procurar a unidade de saúde por meios próprios. Temos de nos orientar pela urgência. É naquele momento. Se precisar, a ambulância vai e faz o atendimento pré-hospitalar ou não. Se não é o caso de um atendimento hospitalar de urgência, o médico já orienta para onde a pessoa deve ser enviada”, esclarece Gileaide.

Estrutura de atendimento

A equipe dispõe de quatro Unidades de Suporte Básico (USB), cada uma com um condutor socorrista e um técnico de enfermagem, e uma Unidade de Suporte Avançado (USA), na qual, além do condutor e do técnico, há um médico e um enfermeiro. Conta ainda com uma motocicleta – a chamada motolância, que também realiza atendimentos de urgência e emergência.

Além desse suporte próprio, a central de atendimento do Samu 192 coordena as sete ambulâncias que a Prefeitura mantém na zona rural, a fim de atender à comunidade.

Desde 2011, o serviço mantém estrutura regionalizada, sendo responsável por prestar cobertura a outras 11 cidades vizinhas: Itororó, Macarani, Presidente Jânio Quadros, Belo Campo, Poções, Cândido Sales, Itambé, Anagé, Maetinga, Itapetinga e Condeúba, além de toda a área de Vitória da Conquista. Esses municípios, chamados de bases descentralizadas, possuem ambulâncias e atendem também a outros municípios.

O serviço conta com 27 teleatendentes, 37 médicos, 40 condutores, 35 técnicos de enfermagem, seis enfermeiros, três servidores dedicados aos serviços gerais e dois agentes administrativos, formando assim uma equipe de 150 servidores. Justamente por isso é que existem os protocolos, para fazer a triagem necessária para equilibrar as necessidades de atendimento com a estrutura existente.

Números

Entre os meses de janeiro e abril, o Samu 192 recebeu 497 ligações que resultaram no envio da USA. No mesmo período, a USB atendeu a 4.405 chamados. A motolância se deslocou até o local do chamado em 78 oportunidades. Esses são os números que resultaram em atendimentos propriamente ditos.

Mas, sem considerar a triagem, a central de atendimento recebeu um total de 51.160 ligações – das quais, infelizmente, nada menos que 1.598 eram trotes. Nesses trotes, a triagem foi capaz de detectar que eram ligações falsas na grande maioria dos casos. Mas, em sete deles, porém, a mentira é contada de tal forma que a equipe se desloca até o local informado nas ligações para só então verificar que não havia nenhuma urgência.