Vitória da Conquista conta há oito meses com a Residência Terapêutica, que acolhe pessoas com transtorno mental, que permaneceram, por mais de dois anos ininterruptos, em hospitais psiquiátricos e/ou hospitais de custódia e não puderam retornar para suas casas por já não existirem mais vínculos ou referências familiares.

Psicólogo Felipe e um dos monitores do serviço

Nessa quarta-feira (19), a casa recebeu mais dois moradores. Os novos residentes são oriundos do Hospital Especializado Lopes Rodrigues (HELR), de Feira de Santana e eram aguardados desde março, mas devido à pandemia da Covid-19 só puderam vir agora, respeitando todos os protocolos da Vigilância em Saúde de Feira e de Conquista.

“Conseguimos, neste momento, completar a Residência Terapêutica, que tem a função de possibilitar a essas pessoas o retorno às rotinas da vida em uma moradia digna em um espaço de convivência social, que possibilite a reabilitação psicossocial e garanta o direito de cidadania”,explicou a coordenadora municipal de Saúde Mental, Thayse Fernandes.

Segundo Thayse, as pessoas que passam a habitar essas residências já estavam hospitalizadas há mais de 20 anos. Por isso, a equipe do Lopes Rodrigues realiza o processo de preparação de cada morador para que essa transição aconteça. A residência conta com cuidadores que estão presentes 24 horas para ajudar os moradores nesse processo de retomada da vida. Além disso, o CAPS II é a referência no cuidado para a casa e coordena o projeto terapêutico.

Equipe da Secretaria de Saúde acompanha os moradores da casa

O psicólogo Felipe Rodrigues do HELR explica sobre esse processo de desinstitucionalização e a parceria com Vitória da Conquista: “Iniciamos em 2012, e tínhamos 217 pessoas em internação permanente, com uma média de 30 anos. Com o fortalecimento dessa estratégia, hoje nós temos 35 pessoas. A Prefeitura se mostrou sensível e ao longo desses três anos viemos construindo esse processo porque a transferência de pessoas longamente internadas requer um cuidado”. Felipe e a coordenadora da Comissão de Desinstitucionalização do Lopes Rodrigues, Denise Rosa, vieram acompanhando Dejair (55) e Fabiano (39).