Assistência Social, Habitação Social e Direitos Humanos
Postado em 14 de setembro de 2026 as 08:17:55
A Secretaria Municipal de Assistência Social, Habitação Social e Direitos Humanos (SASHDS) promoveu, na última sexta-feira (11), um diálogo formativo com servidores da Coordenação de Renda e Cidadania (CRC) e profissionais do Cras Rural sobre o atendimento aos Povos e Comunidades Tradicionais no âmbito do Cadastro Único. A atividade, realizada no Centro de Convivência da Pessoa Idosa, foi conduzida pela Coordenação de Promoção da Igualdade Racial e integrou a reunião mensal de alinhamento da Coordenação de Renda e Cidadania.
O encontro teve como objetivo qualificar os profissionais para o atendimento às famílias pertencentes a esses grupos, considerando suas especificidades sociais, culturais e territoriais. Durante a formação, foram discutidas formas de abordagem e atendimento que contribuam para ampliar o acesso aos serviços e benefícios da assistência social e, ao mesmo tempo, evitar a reprodução de práticas discriminatórias no atendimento público.
Para o coordenador de Renda e Cidadania, Magno Aguiar, a formação contribui para aprimorar o trabalho desenvolvido pelas equipes que atuam no Cadastro Único e no Programa Bolsa Família. “Esse momento é importante para que nossa equipe possa ampliar o olhar sobre os diferentes grupos populacionais e compreender suas especificidades. Quando qualificamos os profissionais, conseguimos melhorar a abordagem, o atendimento e a orientação às famílias, garantindo que o Cadastro Único cumpra também o seu papel de porta de entrada para direitos e políticas públicas”, destacou.
- Ricardo
- Magno
- Elaine
Responsável por conduzir o diálogo formativo, o coordenador de Promoção da Igualdade Racial, Ricardo Alves, ressaltou que a qualificação dos servidores é fundamental para que a ampliação da oferta de serviços nos territórios tradicionais seja acompanhada por um atendimento adequado. “Não basta levar o serviço da assistência social até os territórios tradicionais. É preciso preparar os profissionais para compreender essas realidades e para que o atendimento seja feito de forma respeitosa e qualificada. Quando fazemos essa formação, também estamos enfrentando o racismo institucional, porque passamos a reconhecer as barreiras que dificultam o acesso dessas populações às políticas públicas e construímos uma atuação com perspectiva antirracista”, afirmou.
Projeto Caminhos Quilombolas amplia atuação territorial do Cadastro Único
Na sequência do diálogo formativo, Ricardo Alves também apresentou o Projeto Caminhos Quilombolas – Inclusão pelo Cadastro Único, iniciativa que busca ampliar a inclusão, atualização e qualificação cadastral de pessoas e famílias quilombolas diretamente nos territórios onde vivem. A proposta considera as barreiras geográficas e de acesso enfrentadas por comunidades que, em sua maioria, estão localizadas na zona rural do município.
Entre as ações previstas no projeto estão a busca ativa de famílias quilombolas, a formação dos entrevistadores do Cadastro Único para o preenchimento adequado das informações de identificação quilombola e a realização de ações itinerantes de cadastramento. O projeto prevê ainda a realização de ações em, no mínimo, duas comunidades quilombolas por mês, além da produção de um diagnóstico socioterritorial a partir das informações levantadas durante as atividades nos territórios.
De acordo com Ricardo, a iniciativa une a ampliação do acesso aos serviços com a qualificação da atuação dos profissionais. “Estamos qualificando quem vai ao território para prestar atendimento. Esses profissionais precisam compreender que existe um recorte étnico-racial que também precisa ser considerado quando falamos de vulnerabilidade social. O objetivo é eliminar barreiras de acesso e garantir que as comunidades quilombolas sejam atendidas de forma adequada, respeitando suas especificidades”, explicou.
Para Elaine Virgínia, mobilizadora social que supervisiona as equipes itinerantes do Cadastro Único e do Bolsa Família, a formação contribui para aprimorar o olhar dos profissionais e fortalecer a busca ativa. “É um debate crucial porque existe uma relação entre as condições socioeconômicas e os marcadores raciais. Quando o município reconhece essas vulnerabilidades históricas, consegue fazer uma busca ativa mais qualificada e ampliar o acesso dessa população a direitos e benefícios. Esse momento nos ajuda a aprimorar o olhar e o atendimento, além de reforçar a importância de continuar buscando essas famílias nos territórios”, afirmou.
As atividades desta sexta integraram a reunião mensal de alinhamento da Coordenação de Renda e Cidadania, que reuniu cerca de 50 profissionais para momentos de formação, integração e alinhamento dos processos de trabalho.










