No povoado de Queimadas, os moradores passaram a ter água de qualidade em casa

Clemilda Oliveira

Clemilda Oliveira, de 34 anos, vive com o marido e os oito filhos no povoado de Queimadas, zona rural de Vitória da Conquista. A principal fonte de renda da família é o pagamento mensal recebido por meio do programa federal Bolsa Família. Fora isso, há os eventuais trabalhos avulsos em períodos de colheita de café – o povoado está inserido na região da mata de cipó, onde o clima favorece a cultura desse produto. No entanto, a vida já foi bem mais difícil, para ela e para a maioria das mais de 140 famílias que vivem no local.

A comunidade local dispõe de um sistema simplificado de água

Afinal, hoje a comunidade local dispõe de um sistema simplificado de água, implantado há cerca de dois anos pela Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Agricultura. O poço tubular tem 80 metros de profundidade e uma vazão de aproximadamente 3 mil litros de água por hora. A água vinda do poço é bombeada para uma caixa localizada bem ao lado da escola municipal do lugar. E, dali, através de encanamentos subterrâneos, é distribuída entre as residências de todas as famílias que não possuem cisterna própria.

Antes da implantação do sistema de água, caminhões-pipa costumavam abastecer o lugar. E, no dia a dia, os moradores tinham de buscar água em baldes, numa cisterna. “A água era pouca e não dava para todo mundo. Era preciso ir lá para pegar. Mas, depois do sistema de água, melhorou muito. Agora, recebemos água limpa em casa”, observa a moradora, que utiliza a água do poço para todas as atividades domésticas, desde a lavagem de roupas até a limpeza da casa. E, por conta da qualidade, serve também para o consumo da família. “Melhorou em tudo, porque não preciso sair daqui para pegar água em outro lugar. Aqui, tenho minha água. Qualquer hora que precisar, está aí”, comemora Clemilda.

Eliene Guimarães Souza

‘Água sadia’ – Eliene Guimarães Souza mora em Queimadas há quase trinta anos. Há quinze, ela trabalha no próprio povoado como agente comunitária de saúde. Por isso, registra que, antes de a Prefeitura implantar o sistema simplificado de água, era alto o número de crianças com crises de diarreia e vômito. “Eu chegava nas casas e encontrava muitos casos desse tipo. Usava o soro, não resolvia e voltava de novo o mesmo problema, porque a água não tinha qualidade”, relata a agente de saúde.

Após a perfuração do poço tubular e a distribuição da água encanada entre a comunidade, a situação mudou de forma radical. “Hoje, raramente faço planilhas de notificação sobre isso, porque, graças a Deus, esse problema acabou”, afirma Eliene, que garante que a diminuição das notificações sobre casos de diarreia está diretamente ligada à qualidade da nova água que passou a ser consumida pelos moradores.

Dona Almerinda Santos

Para dona Almerinda Santos, 68 anos, não há dúvidas sobre isso. Ela relata que seu neto, Miguel, de 2 anos – a mesma idade do sistema simplificado de água –, jamais foi acometido pelos sintomas da diarreia. “Para mim, isso é a água”, garante a avó. “Antigamente, aqui tinha muitos casos de diarreia. E agora, ninguém mais está vendo isso aqui. Graças a Deus, melhorou. Estamos bebendo uma água sadia, muito boa. E a que bebíamos antigamente não era”, explica.

Odir Freire, secretário de Agricultura

‘Trabalho incessante’ – A Prefeitura de Vitória da Conquista implantou – e mantém em constante monitoramento – mais de 80 sistemas simplificados de água na zona rural. Em média, os poços têm profundidade de 100 metros e vazão de 5 mil litros de água por hora. “No caso do povoado de Queimadas, temos uma parceria com a comunidade. São os moradores que tomam conta do sistema”, explica o secretário municipal de Agricultura, Odir Freire. “Hoje, não precisamos mais deslocar carros-pipa para abastecer esta comunidade. Assim como em várias regiões do nosso município, o Governo Municipal está sempre atento e tem trabalhado incessantemente”.