Apesar das chuvas fortes do final do ano passado, os índices pluviométricos não registraram a quantidade de água que era necessária para que a situação dos pequenos produtores rurais fosse mais tranquila. Segundo a Defesa Civil, a precipitação pluviométrica na zona rural de Vitória da Conquista, entre janeiro e março deste ano, esteve abaixo de 225 milímetros, quando eram necessários, no mínimo, 400 milímetros.

Com a volta da estiagem, o município – que tem 80% de sua área no semiárido – começa a registrar a diminuição do volume de aguadas e tanques na zona rural e a água usada pela consumo humano, para animais e lavoura está escasseando, já afetando várias localidades de forma grave, o que levou a prefeita Sheila Lemos, após relatório da Defesa Civil Municipal, a decretar estado de emergência em todos os distritos.

Para atender às famílias que não estão tendo acesso a água potável em seus locais de residência, a Prefeitura leva caminhões-pipa e faz a distribuição para quem mais precisa. De janeiro a março deste ano, foram mais de 20 milhões de litros de água transportados e entregues.

Os dez caminhões-pipa contratados pela Prefeitura e coordenados pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Rural (SMDR) fizeram um total de 1.306 viagens, levando 13,5 milhões de litros de água potável para 4.269 famílias que vivem nas localidades rurais de Vitória da Conquista.

Pela Defesa Civil, como parte da Operação Carro Pipa da Defesa Civil Nacional, que tambem também retornou em março, foram 655 viagens e e 6.550 mil litros de água tratada distribuídos para 16.800 pessoas em 132 localidades.

A área percorrida por esses veículos abrange toda a zona rural do município, que é cortada por 3,2 mil quilômetros de estradas e possui cerca de 320 localidades distribuídas em 11 distritos. Trata-se de uma atividade cotidiana, mas que ganhou ainda mais importância devido ao grande volume de água que caiu sobre Vitória da Conquista ao longo dos meses de dezembro e janeiro.

Reservatórios secando

“Sabemos que, em dezembro e janeiro, as chuvas foram fortes em toda a região, mas, infelizmente, justamente por causa das chuvas, grande parte das pequenas aguadas e açudes foram danificados. Eu diria que 85% desses reservatórios foram estragados com os temporais”, informa o secretário municipal de Desenvolvimento Rural, Luís Paulo Santos.

Há reservatórios que resistiram, como um açude de grande porte no distrito de Bate-Pé e outros cinco de porte médio, distribuídos entre os povoados de Lagoa do Batista, Roseira e Boqueirão, situados na região do distrito de José Gonçalves. A grande maioria, no entanto, cedeu aos estragos causados pelo excesso de chuva.

“Percorrendo as estradas da zona rural, pudemos perceber que ainda tem muita água, mas esses reservatórios estão em propriedades particulares”, explica o secretário. A isso, soma-se o fato de que Vitória da Conquista voltou a sentir os efeitos da estiagem prolongada, que retornou nos últimos meses, já causando perdas na produção agrícola e trazendo estimativas de prejuízos a longo prazo.

Estado de emergência

Devido a essa situação, a prefeita Sheila Lemos declarou estado de emergência nos 11 distritos rurais, por meio do decreto nº 21.784, publicado no Diário Oficial do Município na quarta-feira (29). A decisão se baseia em parecer técnico da Coordenadoria Municipal de Defesa Civil. O documento informa que, apesar de ter havido melhoria nos indicadores do recuo da seca, em razão das chuvas ocorridas no final de 2021, o longo período de estiagem nos últimos anos provocou prejuízos na agricultura e na pecuária.

O decreto é válido por 180 dias e abre a possibilidade do recebimento de recursos federais para mitigar efeitos da seca, permitindo a mobilização do Sistema Nacional de Defesa Civil, sob organização da Coordenadoria Municipal de Defesa Civil (COMDEC). O documento autoriza ainda o desencadeamento do Plano Emergencial de Resposta aos Desastres, adaptado à situação real.