Bastidores revelam o trabalho de quem contribui diariamente para o funcionamento da cidade e o bem-estar da população

Enquanto a cidade desperta, segue seus compromissos e percorre seus caminhos, há pessoas trabalhando para que tudo esteja em seu devido lugar e para que a vida siga seu curso. Nas ruas de Vitória da Conquista, profissionais da limpeza urbana enfrentam diariamente o sol, a chuva e o cansaço para manter a cidade limpa.

Nas unidades de saúde e de assistência social, outros servidores acolhem, orientam e cuidam de pessoas, muitas vezes em momentos de fragilidade e necessidade. São trabalhadores que fazem a diferença na vida da população, nem sempre vistos ou reconhecidos como merecem. Por trás de cada rua limpa, de cada atendimento e de cada gesto de cuidado, há mãos que trabalham, histórias que merecem ser contadas e pessoas que dedicam seus dias a cuidar da cidade e de quem vive nela.

Compromisso com a limpeza da cidade

Às 6h da manhã, quando boa parte da cidade ainda está acordando, Edson Silva Quadros, de 48 anos, já está no batente. A rotina começa cedo no maior centro de abastecimento da cidade. Morador do bairro São Vicente, ele e uma equipe de 10 a 12 pessoas se dividem diariamente nas tarefas de varrição dos galpões, laterais, estacionamento e limpeza dos banheiros.

A dedicação de Edson à Prefeitura de Vitória da Conquista é longa. No último dia 25 de setembro, ele completou 12 anos de atuação como gari efetivo, somando-se a outros seis anos em que já havia contribuído com o município trabalhando como agente patrimonial. Sobre a rotina intensa, ele reflete com orgulho: “A gente trabalhando é até muito pesado, porque tem muito lixo, por ser o maior centro de abastecimento e é no centro da cidade, mas é muito gratificante esse trabalho”.

O desafio, no entanto, é constante. Edson explica que a limpeza em áreas de grande circulação exige um esforço contínuo da equipe. “Você pega o lixo agora, daqui meia hora você volta e já tá tudo de novo. Então, é um trabalho que você faz e vai sempre tendo mais, nunca termina,” relata.

Por isso, no Dia do Servidor, o recado de Edson para a população é um pedido de empatia e colaboração, lembrando que o espaço público é uma extensão do lar de cada cidadão: “O nosso trabalho é igual a casa da gente. A gente quer ver, manter limpo, então, mesmo que seja na rua, a gente gosta que mantenha limpo, né? Que aí é o mais bonito. A cidade agradeceria e o meio ambiente também”.

Essa mesma dedicação e senso de pertencimento são compartilhados por sua colega de profissão, Lidiane Mendes de Sousa, 48 anos, servidora da Secretaria Municipal de Ordem Pública (Semop) há 17 anos. A trajetória de Lidiane na limpeza urbana começou após sua aprovação em concurso público, deixando para trás quase cinco anos de trabalho como recepcionista em uma oficina. A transição para uma área totalmente nova e que exigia mais esforço físico foi um teste de resistência, agravado pela necessidade de conciliar a nova rotina com a maternidade de dois filhos, que na época tinham 14 e 6 anos.

“De início foi um trabalho muito pesado, cansativo nos primeiros meses, mas aí eu me adaptei muito bem”, relembra a servidora. Para alcançar seus objetivos e garantir o sustento da casa, ela encarou uma jornada exaustiva. “Precisei da ajuda da minha mãe, porque eu trabalhava a semana toda e no fim de semana fazia hora extra para ajudar no orçamento. O meu sonho era ter minha casa e dar uma qualidade de vida melhor para os meus filhos. E isso aos poucos a gente conseguiu, todos nós três vencemos”.

Durante a semana, Lidiane atua no setor interno com atendimento ao público e aos finais de semana trabalha na limpeza das feiras. O esforço contínuo dos primeiros anos transformou-se em uma profunda admiração pela carreira que construiu. “Trabalho de domingo a domingo, na hora que precisar de mim, a minha coordenação bem sabe disso, eu tô pronta pra fazer meu trabalho. E gosto do meu trabalho, viu? Muito mesmo”, afirma com convicção.

A maior recompensa por toda a dedicação prestada ao longo de quase duas décadas, no entanto, não está apenas nas ruas limpas, mas dentro de casa. Com os filhos hoje já adultos, aos 29 e 23 anos, o sentimento que transborda é o de missão cumprida. “Minha maior gratificação é os meus filhos reconhecerem quem eu sou. A mulher, a mãe, a gari. Eles se orgulham muito de mim e eu agradeço muito a Deus”.

“O serviço público conta com profissionais comprometidos, que exercem suas funções com dedicação e responsabilidade. Por isso, é importante reconhecer e respeitar o trabalho de quem contribui diariamente para o bem-estar da população. Os servidores da limpeza pública, por exemplo, enfrentam muitos desafios para manter a cidade limpa e organizada, inclusive recolhendo resíduos descartados de forma inadequada. É um trabalho essencial, que merece reconhecimento e respeito. Em nome de Edson e Lidiane, parabenizo todos os servidores públicos municipais, especialmente aqueles que integram a Secretaria Municipal de Serviços Públicos (Semop)”, afirmou o coordenador de Limpeza Pública, Ramon Soares.

Empatia com o próximo

Essa mesma dedicação aos serviços públicos ecoa nos corredores da saúde municipal, onde a segurança, o atendimento e a empatia caminham lado a lado. Paulo Vieira Freire, que atua no Centro de Atenção e Apoio à Vida (CAAV), é um dos rostos que acolhem a população com cuidado e discrição.

Com uma longa e orgulhosa trajetória, Paulo ingressou na Prefeitura no dia 14 de outubro de 1999, completando recentemente 27 anos de serviço público. O servidor relembra que trabalhou no antigo DST/Aids, atual CAAV, entre os anos de 2001 e 2005. Após atuar em outros setores, ele retornou à  Unidade de Saúde, onde já soma quase seis anos nesta segunda passagem.

O compromisso com a rotina do local começa antes mesmo do horário oficial. Embora o expediente inicie às 7h da manhã, Paulo costuma chegar 6h30 para abrir o espaço, preparar o café e deixar tudo organizado. Ele faz questão de antecipar a chegada para acolher os pacientes que vêm de outras cidades e atua de forma multifuncional. “Eu distribuo senhas e ajudo a dar suporte até o pessoal da recepção chegar. Também sou eu que fecho às 17 horas e aciono o alarme quando vou embora”, detalha.

Lidar com a saúde vulnerável exige muito tato e sensibilidade. Para o servidor, o sigilo e o respeito são regras de ouro no dia a dia. “Um dos principais cuidados aqui no CAAV é a discrição, ser profissional, porque o público é de pacientes com doenças sexualmente transmissíveis e HIV”, pontua. Para garantir o máximo de privacidade e conforto, o fluxo foi adaptado: “A gente chama as pessoas aqui pelo número que elas recebem, não pelo nome. Essa discrição é primordial para esse trabalho”.

A importância da sua atuação para o funcionamento da unidade vai além da vigilância, baseando-se fortemente na humanização do acolhimento. Paulo acompanhou de perto a evolução dos tratamentos e a redução do estigma desde o início dos anos 2000, lembrando que, antigamente, os pacientes chegavam a ter preconceito de sentar nas cadeiras do espaço. Hoje, o cenário é de empatia.

“É ver a parte humana da pessoa, não se tratar só como profissional, mas sentir a dor do outro”, reflete. Essa dedicação gera uma enorme confiança, fazendo com que muitos pacientes o procurem para pedir apoio e orientações. É essa conexão que o motiva diariamente: “Esse reconhecimento de todos é o que faz com que eu tenha o maior prazer de estar vindo aqui todo dia trabalhar, de abrir e receber os pacientes com um sorriso”.

Para os demais servidores do CAAV, o agente patrimonial Paulo Vieira é um exemplo de dedicação ao serviço público e amor ao próximo. Enfermeira e coordenadora do CAAV, Edilane Borges destacou que a atuação no serviço público vai muito além de cumprir uma função. “É acolher, cuidar, respeitar e compreender que, por trás de cada atendimento, existe uma história, uma necessidade e uma vida que merece ser valorizada. Aqui no CAAV, cada profissional, com seu trabalho e suas particularidades, tem um papel importante na construção de um serviço mais humano, ético e acolhedor. São as mãos que cuidam, as palavras que confortam, os gestos de solidariedade e o compromisso de cada dia que fazem a diferença em nossa missão de cuidar das pessoas”, disse.

Acolhimento, escuta qualificada e garantia de direitos

Na linha de frente do atendimento às famílias em situação de vulnerabilidade social, os servidores municipais desempenham um papel fundamental na garantia de direitos e na promoção da transformação social. É nesse contexto que atua Keila Santos Queiroz, assistente social do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS 8), localizado no bairro Miro Cairo. Casada e mãe de duas meninas, de 2 e 11 anos, ela trabalha na área da Assistência Social desde 2011 e exerce a função de assistente social desde 2018.

Keila

Para Keila, conciliar o conhecimento técnico com a sensibilidade no atendimento é essencial para desenvolver um trabalho de qualidade. “Busco equilibrar as demandas técnicas com a empatia, por meio da escuta qualificada, do acolhimento e do respeito à realidade de cada família. Procuro compreender suas necessidades e dificuldades, sem julgamentos, considerando o contexto social em que estão inseridas”, explica. Ela destaca ainda que o atendimento humanizado, aliado ao conhecimento técnico, é fundamental para acolher cada usuário de forma adequada.

O reconhecimento desse trabalho também faz parte de sua trajetória. Keila recebeu, por meio da Ouvidoria do Município, um ofício com o relato de um usuário que elogiou o atendimento prestado por ela. A manifestação foi motivo de satisfação e reforçou o sentido de sua atuação profissional. “Foi muito gratificante saber que meu trabalho fez a diferença na vida de alguém. Fico extremamente feliz quando vejo um usuário ter seu direito garantido, pois é isso que dá sentido ao meu trabalho”, afirma.

A assistente social também ressalta a importância do trabalho em equipe para oferecer um atendimento respeitoso e acolhedor. “No CRAS, tenho a felicidade de trabalhar com uma equipe maravilhosa, em que todos os servidores buscam atender cada usuário com carinho, respeito e valorizando suas diferenças”, conta.

Com uma trajetória dedicada ao fortalecimento da autonomia das famílias e à garantia de direitos por meio do Sistema Único de Assistência Social (Suas), Keila destaca o orgulho de contribuir diariamente para a vida das pessoas atendidas. “Meu maior orgulho é saber que, ao longo dessa trajetória, tenho contribuído para garantir direitos e acolher famílias. Acredito que não tem como trabalhar em um CRAS sem admirar e respeitar cada realidade, pois por trás de cada atendimento existe uma história que merece ser acolhida sem julgamentos. Amo trabalhar no CRAS!”, conclui.

O compromisso com o atendimento humanizado e a qualidade dos serviços prestados por Keila Queiroz são destacados pela gerente da unidade, Eliane Joana da Cruz. Segundo ela, a profissional demonstra competência técnica, sensibilidade e responsabilidade no acompanhamento das famílias atendidas.

“Keila se destaca pelo compromisso ético, pela sensibilidade humana e pela qualidade dos serviços prestados. Seu trabalho é reconhecido pelos usuários e pela equipe, com quem mantém uma relação de respeito e colaboração”, afirma Eliane.

Eliane e demais servidores do Cras Miro Cairo

A gerente também destaca o empenho coletivo da equipe do CRAS 8 na oferta de serviços socioassistenciais pautados no acolhimento, na escuta qualificada e na garantia de direitos, ressaltando que as capacitações promovidas pela gestão contribuem para o aprimoramento profissional e a melhoria contínua do atendimento à comunidade.

Dia do Servidor

Mais do que cumprir suas funções, os servidores fazem a diferença na vida das pessoas e no cotidiano da cidade. Seja mantendo as ruas limpas, acolhendo e orientando pacientes ou garantindo direitos a famílias em situação de vulnerabilidade, cada um contribui, à sua maneira, para o cuidado com Vitória da Conquista e sua população.

Neste 28 de outubro, Dia do Servidor Público, as histórias de Edson, Lidiane, Paulo e Keila representam tantas outras trajetórias de dedicação que, muitas vezes longe dos holofotes, ajudam a cidade a funcionar e fazem do serviço público um instrumento de cuidado, acolhimento e transformação social.