Mostra traz trabalhos fotográficos, mandalas, pinturas e literatura

Até o dia 31 de maio acontece no Centro Integrado de Direitos Humanos a mostra “Exposições Dialogadas” para lembrar o Dia Nacional da Luta Antimanicomial (18 de maio) organizada pela Secretaria de Saúde, por meio da Coordenação de Saúde Mental. A exposição conta com expressões artes visuais nas áreas de fotografias, pintura e também literatura com lançamento do livro de poesias: “Sarau Poético: Pensou, Falou, Curou”.

A mostra fecha a programação da Luta Antimanicomial que iniciou no dia 18 de maio: “Nosso objetivo com esta mostra foi responder a pergunta: Qual é a Luta Antimanicomial de Conquista? Então a gente pensou para este ano iniciar imprimindo um pouco da nossa identidade a partir das produções artísticas dos Centros de Atenção Psicossocial (Caps). Hoje nós estamos fechando este ciclo de ideias e reflexões da nossa programação, mas sabemos que a luta é de todo dia e é de todo mundo e devemos sempre acreditar que há de se fazer mais e melhor no cuidado com as pessoas” ressaltou a coordenadora de Saúde Mental Thayse Andrade Fernandes.

Roda de conversa discutiu a importância da arte no tratamento dos transtornos mentais

Durante o lançamento da mostra, nesta sexta-feira (24) aconteceu a mesa redonda “Diálogos” com o tema “Temos Identidade?”, mediada pelo psiquiatra Antônio Moura e pela arteterapeuta Joelma Roque que conduziram uma discussão sobre o papel da arte no tratamento de pessoas com transtorno mental.

“Estes são registros que vem sendo realizados desde 2015 na oficina de Produção audiovisual do Caps II e são pautados na liberdade, produzidos pelo afeto, ou seja, são lugares de Vitória da Conquista que são escolhidos pelos usuários participantes da oficina a partir de memórias afetivas que eles identificam. Aqui estão representadas inúmeras manhãs de sextas-feiras em que circulamos pela cidade buscando a produção de autonomia, liberdade e reinvenção da vida através destas vivências” explicou a psicóloga Joisa Ramalho, curadora da mostra fotográfica, “Ser mais uns”, apresentada pelo Centro de Atenção Psicossocial (Caps) II.

Murilo contou um pouco de sua experiência durante o lançamento do livro de poesias dos usuários do Caps AD III

O livro de poesias “Sarau Poético: Pensou, Falou, Curou” foi produzido pelo usuário do Caps AD III, Murilo Cordeiro. As poesias, em forma de acrósticos, falam sobre a vivência e a dificuldade em conviver com a dependência de substâncias psicoativas legais e ilegais.

“Eu herdei do meu pai o gosto pela poesia e também herdei o transtorno bipolar. Fui acompanhado pelo Caps II e hoje estou no Caps AD III. A oficina de poesia foi a forma que encontrei para me ajudar e ajudar os meus colegas. Eu me identifico com todos os poemas pois estive próximo de cada um que colocou suas dores aí, com sua voz” contou Murilo Cordeiro.