Trocar experiências sobre as dores e as delícias que rondam o universo da maternidade. Essa foi a proposta do P@po Ativo realizado no Centro de Referência da Mulher (Crav), na tarde desta quarta-feira (08). Durante o encontro, usuárias e profissionais do serviço conversaram abertamente sobre a solidão materna, o acúmulo de tarefas e responsabilidades, as cobranças externas e os prazeres de ser mãe.

Profissionais e usuárias do Crav se reúnem para confraternizar e discutir assuntos ligados à maternidade.

Para conduzir a atividade, o Crav convidou Vivi Sobrinho. Além de bancária e advogada, ela é mãe, consultora em amamentação e em parentalidade consciente e doula pós-parto. Durante a atividade, ela propôs a desconstrução de muitas visões românticas comuns acerca da maternidade: “Já passou o tempo em que a gente tem que ser considerada Mulher-Maravilha. Nós não somos mulheres-maravilhas. Nós podemos amar os nossos filhos, somos capazes de muitas coisas e de muitos papéis. Mas o fato de desempenhar tantos papéis acaba trazendo uma sobrecarga muito grande para nós, mulheres.”

Ainda de acordo com ela, essa realidade se agrava nos casos das mães-solo, que desempenham a criação dos filhos sem a participação do pai. “Aquilo que deveria ser leve acaba se tornando mais pesado, pela falta de resistência e de rede de apoio”, diz. Para tentar driblar essa realidade, o ideal seria construir uma parceria com outras mulheres. “Uma amiga, uma mãe, uma tia, uma vizinha; todas essas mulheres que estão ao redor dessa mulher que é mãe, ou que vai se tornar mãe, podem ser a rede de apoio, a aldeia dessa mãe”, completa Sobrinho.

Vivi sobrinho, que é mãe, consultora em amamentação e em parentalidade consciente e doula pós-parto, conduziu a atividade.

Para Roberta Lopes, usuária do Crav, o encontro foi proveitoso e muito esclarecedor. “Conversando que a gente vai abrindo a nossa mente, ouvindo também, porque muitas vezes a gente erra por falta de esclarecimento”, avalia. “Então é muito bom, porque a gente desestressa também da carga do dia, porque ser mãe é difícil e bem trabalhoso”, conclui a usuária.

Segundo a coordenadora de Políticas Públicas para Mulheres, Dayana Andrade, a ação tem justamente o objetivo de promover a interação entre as referenciadas e a equipe, gerando um espaço aberto para o diálogo e a troca. “A maioria das mulheres que nos procura são mulheres que já constituíram família, que têm filhos, que inclusive os filhos sofrem violência também, indiretamente, quando ela sofre violência doméstica”, justifica. E completa: “Quando a gente faz esse tipo de evento, em que todas falam abertamente e dialogam, elas se abrem mais. E às vezes a experiência de uma pode contribuir na vida da outra.”