A comemoração dos 55 anos da Biblioteca Municipal José de Sá Nunes na noite dessa quinta-feira, 5, também foi marcada pelo lançamento do livro “Ética e Educação em Kierkegaard e Paulo Freire”, do escritor Jorge Miranda. O lançamento da obra foi uma realização da Prefeitura de Vitória da Conquista, por meio da Secretaria Municipal de Educação.

Jaqueline Carvalho, coordenadora de Administração Escolar

Para a coordenadora de Administração Escolar, Jaqueline Carvalho, que na oportunidade representou o secretário de Educação, Ricardo Marques, o lançamento da obra foi uma maneira de divulgar os escritos em relação à Filosofia. “Há poucos livros sobre essa área na nossa cidade. E a filosofia na educação de Paulo Freire é para nós, educadores, de suma importância. Essa parceria para o lançamento do livro foi pensada para a divulgação do mesmo na rede municipal de ensino, para que todos os professores aproveitem a contribuição da filosofia para a educação”.

Durante o lançamento, o escritor autografou os livros adquiridos pelos presentes

Jorge Miranda começou seus estudos acerca do filósofo Kierkegaard, em 1986. Toda a sua formação acadêmica até o pós-doutorado foi sobre o filósofo. O livro é fruto de um projeto de pesquisa realizado há aproximadamente três anos na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb).

Sobre sua 8ª obra, o escritor afirma que são dois temas, dois filósofos e a mesma realidade. “É uma educação pautada na ética porque nós temos tanto no Brasil quanto na Dinamarca, apesar da distância histórica, formas de uma educação onde se pesam os discursos sobre ética, mas que estão voltadas para o mercado de trabalho. O que eu desenvolvi nessa pesquisa é que a educação tem como tarefa principal a construção do caráter”.

Professores Elton Becker e Lana Sheila leem trecho da obra

Esse é o primeiro trabalho no mundo que procura reunir Kierkegaard e Paulo Freire. “Nesse sentido transgredimos, porque procuramos tirar Paulo Freire da pedagogia e levar para a filosofia, em sua dimensão da ética; e por outro lado, tirar Kierkegaard de uma filosofia abstrata e etérea, colocando-o dentro da materialidade dos homens: o social, o cultural, o econômico. Vale lembrar que Paulo Freire não leu Kierkegaard, no entanto, por frequentar os principais discípulos do filósofo indiretamente acabou sendo influenciado pelas suas categorias”, acrescentou Jorge.