Uma das grandes atrações da Jornada Pedagógica 2014 foi o espetáculo “Superando Limites”, com o Ballet para Cegos, que se apresentou na tarde de quarta-feira, 29, no Espaço Arena Miraflores. O balé clássico para deficientes visuais teve início no Instituto de Cegos, em São Paulo, há dezessete anos.

Este trabalho, bem como seu método, é pioneiro no mundo e foi desenvolvido voluntariamente pela bailarina e fisioterapeuta Fernanda Bianchini. Com a dedicação da professora e das alunas, o grupo foi quebrando paradigmas, superando barreiras e transformando o que era impossível em bela arte.

De acordo com César Albuquerque, um dos coordenadores da Associação de Ballet e Artes Fernanda Bianchini, a dança é um instrumento muito importante para o grupo de deficientes. “Foi por meio da dança que eles começaram a se enxergar como pessoas capazes. Mesmo sendo um mundo totalmente visual, eles aprenderam a dançar, a ter disciplina e descobrir novos caminhos. Eles têm uma força de vontade tão grande que acaba fazendo com que superem os próprios limites”, explicou.

O aprendizado do grupo se inicia no toque e o passo é ensinado de forma individualizada. O professor, sempre com muito carinho, orienta e repete todos os movimentos até que os bailarinos consigam dançar apenas com as instruções orais. A associação dá aulas de balé clássico, sapateado, dança de salão, danças para terceira idade, balé para adultos e música, de forma gratuita para deficientes visuais de todas as idades. Atualmente conta com 90 alunos. O espetáculo caracteriza-se como um verdadeiro exemplo de que não existem barreiras ou impedimentos, quando se tem atitude.

Geysa Pereira, 28 anos, foi uma das primeiras alunas da associação e hoje dá aulas para alunos deficientes e não deficientes. E, de forma serena e emocionante, descreve, em poucas palavras, o significado da dança em sua vida. Dançar para mim é tudo. É se expressar, ser feliz, é sentir cada vez mais próxima de Deus. É uma experiência bárbara. Fiquei cega aos 9 anos de idade e recuperei a visão novamente quando descobrir a dança”, declarou.

Adriana Barbosa é professora da Escola Municipal Milton Santos e apreciou com grande satisfação a apresentação do balé. “Não podemos enxergar a deficiência como um obstáculo, pelo contrário, temos que dá aos alunos portadores de alguma tipo de deficiência a oportunidade e as condições para que eles possam se integrar à sociedade. Como professora de Educação Física, gosto muito de incentivar meus alunos, mostrando que eles são muito capazes. O balé é um grande exemplo disso. Foi muito emocionante”.

Eliane dos Santos é a nova diretora da Escola Municipal Maria Santana e para a ela o evento foi muito satisfatório. “A educação é uma responsabilidade de todos, e acho muito importante o convite que sempre é feito à categoria, para que possamos fazer essa discussão coletivamente. Precisamos superar mesmo os nossos limites para sermos professores transformadores. Sempre somos chamados a pesquisar e atualizar a nossa forma de trabalhar dentro das salas de aula e isso é extremamente necessário”.