Objetivo é que, ao fim das aulas, elas passem a atuar no acompanhamento às mulheres que chegam ao hospital em trabalho de parto

Desde o dia 23 de outubro, um grupo de 25 mulheres, com idades que variam entre 18 e quase 70 anos, participam de um curso para doulas voluntárias, oferecido gratuitamente pelo Hospital Municipal Esaú Matos. As aulas acontecem três vezes por semana e são divididas em três etapas: na primeira, atualmente em desenvolvimento, são 72 horas de conteúdo teórico sobre temas como políticas públicas de saúde, fisiologia do parto e do nascimento, métodos não farmacológicos, voluntariado, boas práticas na atenção ao parto, etc.

Esse conteúdo, que segue até o dia 8 de dezembro, envolve as normas técnicas preconizadas pelo Ministério da Saúde para a atenção à saúde da mulher no momento do parto, hoje vigentes no Sistema Único de Saúde (SUS).

Na segunda etapa, serão mais 8 horas de atividades práticas orientadas, na própria unidade hospitalar. E, posteriormente, nas mesmas instalações, outras 164 horas de atividades práticas supervisionadas. A ideia é que, ao fim desse aprendizado, as participantes do curso venham a atuar como doulas junto às gestantes que chegam ao Hospital Municipal Esaú Matos. Além do trabalho de parto, elas também deverão acompanhá-las em situações de perda gestacional e neonatal.

Segundo a coordenadora técnica assistencial do Esaú Matos, Christianne Schettine, a doula é uma profissional treinada especialmente para acompanhar mulheres em trabalho de parto, mantendo um “olhar diferenciado” que complemente o trabalho dos profissionais de saúde. “É uma mulher que está apta a dar um suporte para a mulher em trabalho de parto, tanto na sua parte física quanto na parte emocional. Então, ela é a mulher que está ali junto da gestante para motivá-la, para incentivá-la a permanecer. Para dizer a ela que ela consegue, nas horas em que ela pensa em desistir”, explica Christianne.

“Se a mulher precisa de um banho, a doula encaminha. Se ela se queixa de dor, a doula pode massageá-la, pode fazer algum tipo de técnica como a compressão, por exemplo, para poder aliviar a dor da mulher nesse momento”, destaca a coordenadora.

‘Faz a diferença’ – Entre as futuras doulas, há estudantes, profissionais liberais, aposentadas, etc. A maioria delas já passou pela experiência da maternidade. É o caso da estudante de Pedagogia Luiza Reis, 25 anos, que esteve sob os cuidados de uma doula nos últimos momentos de sua gravidez. Hoje, seu filho já tem um ano e meio.

Luiza se interessou pelo curso de doula porque sentiu diretamente os efeitos que essa profissional tem sobre a mulher durante o trabalho de parto. “Ter essa assistência num hospital público, da abrangência que é o Esaú Matos, acho que faz a diferença na vida da mulher. Aquele parto vai ser lembrado para o resto da vida como uma experiência muito melhor do que ela seria, caso não houvesse uma doula ali, presente na cena”, observa a estudante.

Baseada em sua própria experiência, ela defende que a presença da doula, inclusive, comece bem antes do momento do parto. “Quanto antes ela atuar, mais segura a mulher vai para o parto. Quando ela entende que a doula vai estar lá nesse momento, que ela já foi preparada antes do parto, ela já se sente mais segura e se entrega com menos medo nesse momento”, ensina.

‘Passo muito grande’ – “Nossa gestão sempre está pensando no melhor para a gestante”, afirma o diretor-geral da Fundação Pública de Saúde de Vitória da Conquista, Filipe Bittencourt. Ele cita como exemplo o fato de as normas internas do Hospital Municipal Esaú Matos terem passado a permitir a a entrada dos pais e de outros acompanhantes para acompanharem as gestantes no momento do parto.

Outra medida, também citada por Bittencourt, foi a autorização para a entrada de doulas no hospital. Agora, com o curso, ele afirma que essa orientação completa um “ciclo”. “É um passo muito grande que o hospital está dando, concebendo esse curso de doulas e abrindo esse espaço para que essas profissionais possam dar assistência à mãe num momento tão delicado e tão sublime da vida dela, em que ela precisa de tanto apoio”, observa o diretor.