O Hospital Municipal Esaú Matos, mantido pela Fundação Pública de Saúde de Vitória da Conquista, destaca-se como referência para o interior da Bahia e Norte de Minas Gerais ao oferecer tratamento especializado para pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) com fissura labiopalatina. Essa condição é uma má-formação congênita que afeta, em média, uma em cada 650 bebês nascidos no país.

Dotado de uma equipe multidisciplinar composta por cirurgião bucomaxilofacial, fonoaudiólogo, psicólogos e outros profissionais de saúde, o Esaú Matos acompanha os pacientes desde o diagnóstico, que pode ser realizado até mesmo por ultrassom durante o pré-natal, até a idade adulta, garantindo um tratamento integral e contínuo. É o caso de Raquel Eloá, de oito anos, que é acompanhada pela equipe desde os seus primeiros dias de vida.

A mãe dela, Maria de Fátima, conta que, após o nascimento, Raquel foi transferida para a unidade, quando já foi iniciado o seu tratamento. Ao longo desses oito anos, Raquel passou por três intervenções cirúrgicas, além de receber todos os cuidados necessários. “Agradeço muito por termos tido aqui o tratamento completo para minha filha. Hoje, ela já frequenta a escola normalmente e está se desenvolvendo bem, o que para gente é uma grande conquista”, disse Maria de Fátima.

A cirurgia de fissura labiopalatina não apenas corrige um defeito estético e alterações anatômicas e funcionais, mas também reintegra o paciente à sociedade, é o que afirma o cirurgião bucomaxilofacial, Rafael Moura: “Operar um paciente com fissuralapalatina é agregá-lo de volta à sociedade. Muitas vezes esse defeito se trata de forma tão clara ou esteticamente visível e perceptível para as outras pessoas ou por dificuldades relacionadas à fala, que esses pacientes ficam alheios ou marginalizados. E a gente tem essa obrigação, antes da cirurgia propriamente em si, trazer esse paciente de volta à sociedade”.

A reabilitação de pacientes com fissura labiopalatina é um processo complexo e altamente individualizado, conforme destaca o fonoaudiólogo Jorge Fernando Cunha. Segundo ele, cada paciente apresenta características únicas, mesmo que a condição clínica seja similar. Isso exige uma abordagem personalizada em termos de exercícios e tratamentos para garantir a mobilidade e a funcionalidade das estruturas afetadas.

O fonoaudiólogo explica que foco inicial é a mobilidade e sensibilidade das áreas cirurgicamente tratadas, como os lábios e o palato. Após a cirurgia do lábio, por exemplo, são realizados exercícios específicos para aumentar a mobilidade e força na região, essencial para a recuperação da função muscular e sensitiva. Além disso, a cirurgia do palato requer um trabalho intensivo para recuperar a mobilidade dessa região, uma vez que a musculatura pode ficar rígida. Esse trabalho é fundamental para a articulação e produção correta dos sons, impactando diretamente na fala do paciente.

Além da melhora na comunicação verbal, o tratamento contínuo possibilita uma série de conquistas significativas, que vão desde o redirecionamento do fluxo de ar até habilidades cotidianas, como soprar uma vela ou encher uma bexiga. “São coisas que parecem simples, mas são marcos extremamente importantes para esses pacientes que representam grandes conquistas, porque, querendo ou não, tem a questão do bullying, eles acabam se afastando porque não conseguem fazer o que normalmente uma criança de convívio com eles consegue fazer”, reforçou o fonoaudiólogo.