Criado em 28 de julho de 2006, o Centro de Referência da Mulher Albertina Vasconcelos (Crav) atua na prevenção e enfrentamento da violência contra a mulher no município. A equipe técnica do serviço conta com uma assistente social, duas psicólogas e uma advogada. Com acolhimento humanizado, atendimento psicossocial e acompanhamento jurídico, busca-se a ruptura da situação de violência e o resgate da autonomia e autoestima da mulher.

O Crav também realiza o encaminhamento das usuárias para a Rede de Proteção à Mulher e a Rede Socioassistencial. “Às vezes, nesse primeiro acolhimento, a gente vê que a mulher possui filhos, e eles presenciaram a violência doméstica. Então ela já sai do primeiro acolhimento com os filhos direcionados para o Centro de Referência Especializado de Assistência Social, o Creas”, explica a coordenadora de Políticas Públicas para Mulheres, Dayana Andrade. O caminho inverso também acontece: quando uma mulher vítima de violência chega a algum serviço das redes, elas igualmente são orientadas a se dirigir ao Crav.

Papo ativo sobre câncer de mama realizado em 2019

Mas a busca pelo Centro de Referência também ocorre de forma espontânea. “Muitas mulheres, por questão de segurança, têm receio de realizar a ocorrência na Delegacia da Mulher, porque elas não têm para onde ir. Existe também a questão da dependência financeira muito presente. Então, primeiro a mulher procura nossa ajuda, e no atendimento a gente vai fazer o seu plano de segurança”, detalha Dayana.

Tipos de violência – Ainda de acordo com a coordenadora, muitas vítimas só buscam a ajuda do Crav após sofrer uma agressão física. Já no primeiro acolhimento, a equipe consegue identificar nos relatos situações de violência psicológica, sexual, moral ou patrimonial – nesses casos, infelizmente, muitas mulheres não têm consciência de que também são vítimas, pois as agressões costumam ser maquiadas pelo discurso de cuidado e amor.

Gratidão – Esse foi o caso de Lidiane Dias, que foi encaminhada ao Crav após denunciar uma agressão do ex-marido, em 2016. “Percebi que a agressão física era só um dos tipos de agressão que eu já tinha sofrido”, confessou. “Eu tinha medo de sair, de estar no Centro da cidade sozinha, e de alguma forma encontrar meu ex-marido. E junto com a questão do medo vinha a questão da baixa autoestima”, completou.

Até hoje, Lidiane é acompanhada pelo Centro de Referência da Mulher, onde encontrou o suporte que precisava para ajudar a tratar as suas feridas. “O Crav foi essencial para que eu me reerguesse e saísse daquele lugar de sofrimento e dor. Claro que é um movimento difícil e complicado, mas tem a cooperação, o cuidado, o zelo e o afeto, que a gente sente não só da psicóloga, mas de toda a equipe. Todos os profissionais, desde o porteiro à moça da recepção, todos os que eu tive contato foram extremamente cordiais comigo e me fizeram sentir respeitada e não julgada. Eu sou muito grata ao Crav”, declarou.

O Governo para Pessoas sabe da importância que o Crav tem para as políticas de mulheres e para o fortalecimento da rede de proteção que acolhe mulheres no contexto de violência. “Por isso os 15 anos representa motivo de comemoração. Para o nosso governo, o centro também é uma prioridade e nós temos feito investimento como forma de avançar nessa pauta e fortalecemos esse importante instrumento público”, afirma o o secretário municipal de Desenvolvimento Social, Michael Farias.

Atendimentos – Somente até junho deste ano, o Crav já recebeu 113 mulheres, somando 899 atendimentos. No ano passado, foram 208 vítimas acolhidas e 1.822 atendimentos. “Com o isolamento social e com a quarentena, as mulheres ficaram impedidas de sair de casa, e elas não puderam notificar”, contextualiza Dayana. Já entre 2017 e 2019, o serviço recebeu 717 mulheres, totalizando 6.216 atendimentos.