As filmagens de A doce flauta de Liberdade já foram concluídas em Ituaçu; obra está em fase de edição e montagem

Em algum momento dos anos 70, numa pequena cidade do interior, os moradores têm como única alternativa de entretenimento o cinema local. Os filmes ali exibidos são previamente mutilados, por ordem de alguns cidadãos mais conservadores: eles pedem ao exibidor que recorte das películas as cenas consideradas mais “ousadas”. Nem todos, no entanto, estão sintonizados com esse conservadorismo e preferem a onda liberalizante típica daquele contexto histórico e social.

É a partir desses embates que se inicia uma trama com toques de surrealismo e, em alguns momentos, humor. Em linhas gerais, é esse o ponto de partida de A doce flauta de Liberdade, longa-metragem dirigido por George Neri. “É, sobretudo, um elogio ao cinema. O ponto central é o embate entre a censura e a liberdade”, sintetizou Alberto Marlon, um dos responsáveis pela adaptação do roteiro.

A produção do filme foi viabilizada por meio da seleção pelo edital nº 12/2012, da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb). As filmagens duraram cerca de um mês em Ituaçu, a 150 quilômetros de Vitória da Conquista. “A comunidade nos aceitou muito bem, e a cidade se encaixou como uma luva para o filme”, observou o produtor executivo Dió Araújo. Atualmente, a obra está em fase de edição e montagem, enquanto a equipe continua em busca de recursos para arcar com os custos adicionais.

O elenco é completamente formado por atores de Vitória da Conquista e região – à exceção do cantor e compositor pernambucano Otto, que fez uma participação especial. Há atores jovens e outros mais experientes, como é o caso de Gildásio e Sônia Leite. Assim que o filme estiver finalizado (a equipe espera tê-lo pronto ainda este ano), deverá ser exibido em mostras e festivais pelo país, além de canais públicos, como a TV Brasil.

Novo paradigma – As pretensões da equipe não param por aí. Para se ter uma ideia, está prevista a inclusão de legendas em inglês, francês e espanhol. “Não podemos deixar uma obra como essa na prateleira. Estamos fazendo esse filme para que ele tenha uma dimensão muito grande. Nossa intenção é ganhar o mundo através de um cinema mais artístico”, explicou Araújo.

Para Alberto Marlon, A doce flauta de Liberdade pode atuar como um incentivo para outras pessoas que também queiram dar vazão ao desejo de fazer cinema na região de Vitória da Conquista – que, por sinal, é a terra natal do cineasta Glauber Rocha. “Como a cidade é um celeiro de cultura e possui todas as vertentes de arte, essa iniciativa de produzir cinema é muito interessante, pois serve como um paradigma para novas produções”, afirmou.

Para mais informações sobre o filme, clique no link abaixo:

http://adoceflauta.com.br/