‘Arraiá da Zulema’ teve apresentações musicais com tradução em Libras e participação de alunos surdos

Numa das apresentações musicais do Arraiá da Zulema, confraternização junina promovida pela Escola Municipal Zulema Cotrim nesta quarta-feira, 21, alunos se vestiram de caipiras para dançar uma coreografia ao som da canção Xote das meninas (Luiz Gonzaga-Zé Dantas). Enquanto dançavam, eles faziam uma tradução simultânea da letra da música, de acordo com a Língua Brasileira de Sinais (Libras).

Foram aplaudidos pelos colegas – tanto de forma sonora, batendo as palmas das mãos uma na outra, quanto na linguagem dos surdos, que consiste em balançá-las em posição vertical. Um visitante que assistisse ao espetáculo jamais desconfiaria que uma das alunas envolvidas, Maisa Silva, 10 anos, era surda. E tampouco perceberia que isso não a impediu de dançar e se apresentar junto com seus colegas, embora não conseguisse ouvir a canção.

Foi essa a ideia do evento: envolver todos os alunos da escola – todos mesmo, sem exclusão. “A gente procura, em todos os momentos da escola, inserir esses alunos no que estiver sendo feito”, informa a diretora Rose Fonseca, referindo-se aos cinco estudantes matriculados na Zulema Cotrim que possuem surdez ou dificuldades auditivas.

Reforço pedagógico – Através da Secretaria Municipal de Educação, a Prefeitura mantém uma estrutura para atendimento específico a essa demanda. A sala de recursos multifuncionais da Zulema Cotrim dispõe de um polo em Libras, que, no turno oposto ao das aulas, oferece um reforço pedagógico nessa língua aos alunos surdos ou com dificuldades auditivas.

Esse serviço funciona em conjunto com o Atendimento Educacional Especializado, oferecido no Centro Municipal de Educação Professor Paulo Freire (conhecido como Caic).

“A sala de recursos com polo em Libras funciona justamente para poder auxiliar esses alunos a aprenderem a língua de sinais com atividades lúdicas. É uma forma muito mais eficaz para eles terem maior absorção de conteúdo, pelo fato de a Libras ser uma língua gestual, visual e espacial”, explica Pedro Ernesto Santos, um dos dois intérpretes fixos da Zulema Cotrim.

‘Atendimento é maravilhoso’ – O outro intérprete da escola é Oscar Brito. E é ele quem nos traduz, em palavras, os gestos com que a estudante Maisa Silva exprime o que sentiu após se apresentar com os colegas com os colegas no Arraiá da Zulema.

“Eu amo demais estudar aqui”, diz Maisa. “A professora explica como funcionam as disciplinas na sala de aula, e o intérprete está sempre comigo. Também aprendi Libras no Caic quando eu era criança, e fui me desenvolvendo. Aprendi e fiquei com uma visão bem clara na Libras”. Ela já havia se pronunciado no encerramento de sua apresentação, por meio de uma placa que dizia: “Vivo a inclusão”.

A opinião da garota é atestada por sua mãe, Edinalva Santos, 39. “Todo mundo tem muita atenção com minha filha. Aqui, neste colégio, ela não sofre preconceito nenhum. Ela se dá bem com todo mundo e todo mundo se dá bem com ela. Até por causa disso, ela se desenvolveu. Tem força para estudar, tem boa vontade”, relata. “É por causa do atendimento, que é maravilhoso. Estou muito feliz por minha filha estar aqui”.

‘Inclusão é importante’ – Presente ao Arraiá da Zulema, o secretário municipal de Educação, Marcelo Melo, afirmou que o Governo Municipal pretende ampliar a estrutura de atendimento aos alunos surdos, por meio do auxílio e do reforço no ensino da Libras. “Essa inclusão é muito importante. Você vê as crianças sendo bem recebidas pelas outras crianças que não têm nenhum tipo de deficiência. O trabalho que os nossos professores das salas multifuncionais têm feito na Rede Municipal é muito importante, em especial aqui na Escola Zulema Cotrim e também no Caic”, afirmou.

“Nós estamos desenvolvendo esse trabalho e pretendemos ampliar, porque temos que estar preparados para receber as nossas crianças”, disse ainda o secretário. “Se a criança tem algum tipo de deficiência, nós, enquanto Secretaria de Educação, escolas e professores, temos que melhorar e nos adaptar a essa situação para efetivamente dar uma educação de qualidade”.

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