Sessão técnica teve participação de profissionais que atuam em serviços de saúde coordenados pela Prefeitura

Decididos a pôr em discussão a ideia de se tratar a saúde mental a partir da atenção básica, estudantes do curso de Enfermagem do Campus Anísio Teixeira, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), promoveram, na manhã do último sábado, 1º, a última das oito sessões técnicas realizadas no atual semestre, com o tema “Saúde Mental na Atenção Primária à Saúde”. A atividade foi direcionada a alunos de cursos da área de saúde, como Psicologia, Nutrição e Medicina, além de Enfermagem.

“Percebemos que é um tema ainda pouco explorado. Há uma prevalência de transtornos leves que poderiam ser tratados na atenção primária”, explicou o estudante Rodrigo Barros, que organizou a sessão juntamente com as colegas Bárbara Dutra e Francislaine Brilhante. “Esta sessão tem o objetivo de promover esta discussão acerca do tema, para que nós mudemos nossas práticas e passemos a ter uma atenção integral, inclusive para a saúde mental”, complementou.

Palestras – A sessão contou com participações de profissionais que atuam em serviços de saúde coordenados pela Prefeitura, como a psicóloga Monique Brito, responsável pela Coordenação de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas. Monique falou aos estudantes sobre os projetos atualmente desenvolvidos no município, como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), e iniciativas que ainda serão implantadas, a exemplo da Unidade de Acolhimento. “É um serviço para usuários de álcool e outras drogas que precisam receber cuidados fora de sua residência. São aqueles que necessitam de uma internação de curto prazo para que, posteriormente, seja trabalhada a sua reinserção”, informou.

As outras palestras da sessão foram ministradas pelos enfermeiros Geslaney Reis e Monique Viana. Geslaney, que atua no Caps-AD de Vitória da Conquista, falou a respeito da percepção dos profissionais da Equipe de Saúde da Família acerca de ações de saúde mental na atenção primária. A base de sua palestra foi seu trabalho de conclusão de curso. “Esse trabalho nos trouxe resultados municipais que nos dão dados para novas estratégias e melhorias do serviço, também”, disse. Monique tratou da importância da família dos usuários nos cuidados na área de saúde mental. Segundo ela, o conceito de “família”, no caso, não se limita aos laços de sangue. “É o núcleo ao qual a pessoa se sente pertencente”, elucidou a enfermeira, que trabalha no Caps II.

Exposição – Enquanto as discussões técnicas transcorriam no auditório, uma exposição de quadros adornava as paredes da sala ao lado. As obras foram produzidas por usuários do Caps II, que recebe pessoas com transtornos mentais considerados de “graves” a “severos”. Foram produzidas durante a oficina de Arteterapia, ministrada no serviço pelo artista plástico Romeu Ferreira. “Estes eventos são importantes porque a gente discute o que fazer para que se efetive a luta antimanicomial e a saúde mental como um todo”, disse Ferreira, que participou da sessão técnica.