Técnicos estiveram na propriedade da família Novais, que adquiriu um trator com implementos agrícolas

Horta do produtor Givanildo

Localizado cerca de 30 quilômetros ao norte de Vitória da Conquista, na região do distrito de José Gonçalves, o povoado de Itaipu iniciou a quarta-feira, 30, sob um frio de pouco mais de dez graus – temperatura que, na verdade, parecia bem mais baixa, em razão da neblina e dos fortes ventos. Indiferente ao clima adverso, o agricultor Givanildo Novaes, 37 anos, estava de pé desde cedo, manejando a enxada no que restava de uma plantação de repolho. De acordo com o sistema de rodízio que vigora na propriedade, a antiga horta em breve dará lugar a outro produto, o milho.

Givanildo arrancava as últimas folhas do legume para levar até o curral, onde pretendia reaproveitá-las como complemento na ração do gado. Foi nesse momento que ele recebeu a visita do engenheiro agrônomo Sálvio Gusmão e do veterinário Sílvio Moura, ambos integrantes da equipe técnica da Secretaria Municipal de Agricultura. A visita fazia parte do programa de assistência técnica que a Prefeitura disponibiliza aos pequenos agricultores de Vitória da Conquista.

João Domingues, Sálvio Gusmão, Sílvio Moura e Givanildo

Incrementando lucros – No caso de Givanildo, a orientação começou quando ele e o pai, João Novaes, 70, recorreram à equipe técnica em busca de alternativas para incrementar os lucros obtidos a partir de sua produção agropecuária. Além de repolho e milho, a propriedade de quase 20 hectares – na qual também trabalham os cinco irmãos de Givanildo – produz pimentão, tomate, mandioca, couve, pepino e feijão de corda. A família comercializa as hortaliças duas vezes por semana, na Central de Abastecimento situada na avenida Juracy Magalhães. Também há oito hectares de pasto e dois de capim, mantidos para alimentar as 30 cabeças de gado, cujo leite é vendido aos próprios vizinhos que moram nas proximidades de Itaipu.

“As chuvas na região são poucas. Às vezes, quando conseguíamos um trator, a terra já havia secado, e aí arávamos mal arada, rasa demais. Isso ia acumulando prejuízos para nós, no decorrer do ano”, lamenta o agricultor João Domingues, que há mais de 40 anos sustenta a família à base da agricultura familiar.

Trator adquirido pela família Novaes

Programa de Desenvolvimento da Agricultura Familiar – A solução encontrada pelos técnicos foi providenciar um projeto junto ao Governo Federal. Com a aprovação do pleito, a família Novaes conseguiu financiar a compra de um trator, acompanhado de três implementos agrícolas: um arado, uma grade e um reboque. A aquisição foi possibilitada por uma linha de crédito aberta pelo Banco do Brasil e destinada especificamente a esse tipo de financiamento.

O valor da compra – R$ 105 mil – será pago em parcelas com juros anuais de 2%, que se estenderão por dez anos, além dos três que compõem o período de carência. As chaves do veículo foram entregues a João Domingues pessoalmente pelo prefeito Guilherme Menezes, em março, durante uma cerimônia da Exposição Agropecuária, Industrial e Comercial de Vitória da Conquista (ExpoConquista).

Givanildo já trabalha com o novo trator na aração de suas terras

‘Peça-chave’ – O trator está sendo utilizado na propriedade há cerca de dois meses. Se antes os Novaes tinham de pagar a outras pessoas para arar suas terras, agora são eles mesmos que se encarregam dessa atividade. Ao avaliar os benefícios que se fizeram notar desde então, João Domingues mostrou-se cauteloso, embora também tenha deixado claras suas expectativas positivas. “Estamos ainda no início do trabalho. Daqui a um ano vamos ver os resultados. Mas, com certeza, a diferença vai ser grande, pois nós vamos fazer os trabalhos na hora certa”, explicou.

Para Givanildo, no entanto, os tempos já são outros após a chegada do novo equipamento agrícola. Todo o intrincado trabalho que envolve a manutenção das diversas culturas de legumes e hortaliças, e ainda a criação do gado leiteiro, segundo ele, ganhou em praticidade. “Agora, é como se nós tivéssemos mais uns dez trabalhadores com a gente”, comparou, referindo-se à redução tanto dos custos quanto do tempo gasto em cada atividade agrícola: “O trator nos ajuda muito na tombagem do solo, no agrogradeamento, no transporte de capim e ração para o gado e também para transportar as verduras até o ponto onde as colocamos no caminhão. Hoje, é a peça-chave dentro da propriedade”.

Odir Freire, secretário de Agricultura e Desenvolvimento Rural

‘Produtividade com qualidade’ – A visita à propriedade dos Novaes em Itaipu, portanto, foi para que os técnicos verificassem os resultados parciais das orientações que repassaram a João Domingues e a Givanildo. A assistência, como assinala Sálvio Gusmão, tem caráter continuado. “Temos que dar continuidade, porque, agora que eles foram contemplados com o trator, vão trabalhar tanto na parte das hortaliças quanto na da pecuária”, disse. “Eles vão preparar uma área para a pastagem e, futuramente, melhorar a capineira, justamente para fornecer um alimento mais adequado para o gado”, acrescentou o engenheiro agrônomo.

Outras visitas deverão ocorrer nos próximos meses, com a finalidade de fazer análises de solo e verificar as necessidades de cada uma das lavouras, assim como também estudar as possibilidades de introdução de novas culturas que se revelem lucrativas para os agricultores. “A orientação técnica nos encaminha para uma produtividade maior e com melhor qualidade”, reconhece Givanildo. “Com essa parceria, estamos vendo uma nova porta se abrindo, para que possamos dar sequência ao nosso trabalho aqui, mesmo, sem precisarmos sair da região”.

Contato – Segundo o secretário municipal de Agricultura, Odir Freire, o trabalho de assistência técnica, oferecido pela Prefeitura, está disponível a qualquer pequeno agricultor que se mostre interessado em obter melhor produtividade, tanto na agricultura familiar quanto no manejo de rebanhos. “São ações desenvolvidas pela Secretaria Municipal de Agricultura, que seguem as orientações da Administração Municipal e dão total apoio ao homem do campo”, afirma Odir.

Para isso, de acordo com o secretário, é necessário que o agricultor entre em contato com a equipe técnica da Secretaria Municipal de Agricultura, o que pode ser feito por telefone – (77) 3420-7002 – ou de forma presencial. Neste caso, a pessoa deve comparecer à sede da secretaria, que funciona no prédio localizado logo acima da feira livre do Ceasa, na Praça Catão Ferraz, sem número, Centro. “Convocamos a comunidade rural para que nos procure e, assim, possamos desenvolver outros projetos como os que já estão em andamento”, reforça o secretário.