O último dia do Encontro Nacional do Café, realizado neste domingo (13), na Fazenda Vidigal, foi marcado por uma programação que ampliou o olhar sobre as possibilidades de desenvolvimento da agricultura no Planalto da Conquista. Entre os destaques do encerramento esteve a palestra Citrus do Futuro, conduzida pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Rural (SMDR), que apresentou experiências, resultados e perspectivas para a citricultura no município.

Representando a SMDR, o coordenador de Agricultura Familiar, Eduardo Castro, destacou que o projeto apresentado durante o encontro já produz resultados concretos e tem contribuído para transformar a realidade de agricultores da região. “Esse projeto do futuro não é mais do futuro, é um projeto já do presente. E é um projeto muito exitoso, que vem mudando vidas no interior do município, vem mudando a vida dos nossos agricultores”.

Eduardo explicou que a apresentação também foi uma oportunidade para compartilhar com os participantes do encontro a experiência desenvolvida pela Prefeitura de Vitória da Conquista. O projeto já ultrapassou 100 mil mudas plantadas e alcançou mais de 100 famílias, além de avançar na discussão sobre mercado e nas possibilidades de fortalecimento da citricultura no Planalto da Conquista.

Eduardo Castro

A iniciativa também chamou a atenção de produtores que participaram do encontro. Evando Prates, cafeicultor e produtor rural, destacou que embora sua atuação esteja ligada à cafeicultura, o desenvolvimento da citricultura representa uma oportunidade importante para fortalecer a agricultura regional. “O projeto do Citrus é salutar, é um projeto ímpar dentro do nosso cenário da agricultura”.

Para Evando, o incentivo, a orientação técnica e os subsídios associados ao projeto podem contribuir para fortalecer não apenas a produção, mas toda a cadeia comercial, gerando emprego e renda. Ele também ressaltou o potencial da região da Limeira para o cultivo de diferentes frutas cítricas, como laranja, tangerina e limão.

A presença do Citrus do Futuro reforçou uma das características do próprio Encontro Nacional do Café: a reunião de diferentes segmentos da agricultura em um mesmo espaço. Ao longo dos três dias, a Fazenda Vidigal recebeu atividades relacionadas à cafeicultura, pecuária, fruticultura, tecnologia, educação e turismo rural.

Para Valéria Vidigal, produtora do evento, artista plástica e cafeicultora, essa diversidade é uma das riquezas da programação. Ela também destacou a importância do apoio da Prefeitura de Vitória da Conquista ao encontro. “A gente fica muito feliz porque a valorização de uma Prefeitura em relação ao olhar para o Encontro Nacional do Café mostra que o município está focado e dando importância ao mundo do agronegócio”.

Valéria Vidigal

Valéria ressaltou ainda que a aproximação entre o campo, a educação e a comunidade permite transformar o evento em um espaço de aprendizagem e experiências, especialmente para crianças e estudantes.

Mulheres ganham destaque na programação

Outro momento de destaque aconteceu na sexta-feira (11), com uma roda de conversa voltada às mulheres, reunindo participantes para falar sobre empreendedorismo feminino, autonomia, oportunidades e protagonismo.

Monique Cajaíba e Dolene BajumSegundo Monique Cajaíba Santos, coordenadora de Enfrentamento à Violência contra Mulheres da Secretaria Municipal de Políticas para Mulheres (SMPM), a atividade foi pensada para promover integração, cultura e conexão. “Além de conhecerem a Fazenda Vidigal e visitarem os estandes, as participantes puderam prestigiar apresentações culturais, coral e participar de uma roda de conversa, promovendo momentos de troca, reflexão e fortalecimento de vínculos”.

A mediadora da atividade, Dolene Bajum, ressaltou que falar sobre empreendedorismo feminino vai muito além de discutir rentabilidade. “Falar de empreendedorismo feminino, falar de dinheiro não é falar só da rentabilidade, é falar de escolhas, da liberdade de dizer sim, da liberdade de dizer não”. Para ela, o empreendedorismo também pode abrir portas, criar novas possibilidades profissionais e contribuir para o desenvolvimento pessoal.

A experiência também foi marcante para quem participou da programação. Eunice, uma das participantes, destacou a sensação de bem-estar proporcionada pelo contato com o espaço e com as atividades do encontro. “É uma oportunidade de se sentir viva. Muito bem, e sentir viver no campo, com um café bonito que eu nunca tinha visto. Amei. Estou feliz da vida”.

Ao chegar ao fim, o Encontro Nacional do Café reforça sua proposta de aproximar diferentes públicos do universo rural e mostrar que o desenvolvimento da agricultura passa pela inovação, pela troca de conhecimento e pela valorização de quem produz. Na Fazenda Vidigal, o café esteve lado a lado com a fruticultura, a tecnologia, a cultura, a educação e o empreendedorismo, ampliando o olhar sobre as possibilidades para o campo e para a economia regional.