Neste 15 de outubro, quando é comemorado nacionalmente o Dia do Professor, histórias como a que você vai conhecer a seguir exemplificam bem a importância desse profissional para a vida dos alunos

O professor municipal da zona rural de Vitória da Conquista, Davino Nascimento, poderia ter limitado o seu trabalho apenas a sala de aula. Entretanto, por reconhecer a importância do seu papel na formação de crianças e adolescentes e por ser comprometido com seu trabalho, ele escolheu fazer a diferença. Ele demonstrou que um bom professor pode motivar e incentivar seus alunos, despertando-os para o conhecimento e obtendo resultados positivos de aprendizagem.

Em 2008, quando começou a trabalhar no Centro Educacional Eurípedes Peri Rosa, situado no distrito de Bate-pé, Davino conheceu alguns alunos que haviam vencido um concurso jornalístico realizado em Vitória da Conquista e, segundo eles, essa vitória mudou a visão que tinham sobre o futuro. A partir daquele episódio, o professor entendeu que “ganharia” a compreensão e o entusiasmo dos alunos envolvendo-os, também, em projetos e concursos.

Foi aí que surgiu o Projeto de Leitura em que os alunos teriam, como atividade, encenar a história do livro escolhido. Para a surpresa dele, os estudantes decidiram que gravar vídeos seria a melhor opção.

Celulares, Câmara, Ação! – Os estudantes se empenharam em desenvolver as produções da melhor forma possível. O material gravado por meio dos próprios celulares, aparelhos de gravação e câmaras fotográficas simples, pareciam mesmo grandes produções.

“Aprendemos no dia a dia, na leitura, mexendo nos computadores, pesquisando. Em certa altura, a história já havia se misturado: eu quem estava aprendendo com meus alunos”, contou emocionado o professor.Com a conclusão dos trabalhos, professores e diretoria não podiam deixar de expor as produções e, em conjunto com os alunos, foi decidido que seria realizado o primeiro Festival de Cinema de Bate-Pé.

Nem precisa dizer que foi um sucesso. Toda a localidade se envolveu, e, executar, a cada ano letivo, edições sucessivas do evento passou a ser o principal objetivo dos alunos, a partir daquele ano.

Outros resultados – De acordo com o professor Davino, na segunda edição, o projeto de cinema “exigiu” da escola dois novos desafios: a consolidação da biblioteca como fonte de pesquisa e a discussão do tema música em sala de aula, já que o horizonte musical dos estudantes ainda não havia sido explorado. “A escola também ampliou sua visão, depois do projeto, graças à influência dos alunos”, disse Davino.

Este ano, na sexta edição do projeto, eles contam também com o laboratório de informática – uma das solicitações dos alunos que a Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Educação contemplou – e vão fazer o que nunca fizeram: a edição dos vídeos, em Bate-Pé.

“Agora eles são 3D” – Há seis meses, um funcionário municipal foi convidado para trabalhar a matéria “audiovisual” com as crianças a partir de sete anos e contribuirá para enriquecer ainda mais a iniciativa. “A impressão que temos é que esses alunos já nasceram dominando as novas tecnologias. As crianças já editam vídeos em programas bastante sofisticados”, explicou Davino.

Com todas essas experiências acumuladas, os estudantes estão editando os vídeos em terceira dimensão, popularmente conhecida como 3D. “Nosso novo desafio é envolver a comunidade com essa tecnologia, algo que não esperaria tão cedo em Bate-Pé, mas que os alunos mostraram que é possível”, disse o professor, que complementou: “Se antes o nosso objetivo era elaborar a sala de leitura, tornando o hábito da leitura mais frequente, agora temos outras perspectivas. Não vamos parar”.