Duas filhas e uma bisneta do patrono da escola participaram da cerimônia em que a unidade foi entregue à comunidade, após ter sido reformada e ampliada

A cerimônia de entrega da Escola Municipal Josias Casaes França à comunidade de Dantelândia, na tarde de quinta-feira, 1º, após um intenso processo de reforma e ampliação realizado pela Prefeitura de Vitória da Conquista, por meio da Empresa Municipal de Urbanização (Emurc), naturalmente despertou um sentimento de satisfação nos participantes. Afinal, ali se realizou o desfecho de uma reivindicação da comunidade, prontamente atendida pelo Governo Municipal.

As irmãs Winefrede e Vivalda França, acompanhadas por Maria Eduarda, bisneta do patrono da escola

Para algumas pessoas, no entanto, o sentimento de satisfação também envolveu outros componentes, além da evidente revitalização do prédio escolar. Trata-se dos descendentes de Josias Casaes França, o patrono da escola-sede do Círculo Escolar Integrado de Dantelândia. Convidadas especialmente para a cerimônia, estiveram lá duas filhas de Josias, Winefred e Vivalda, acompanhadas por Maria Eduarda, de 10 anos, neta de Winefred e bisneta do patrono.

Winefred foi uma das primeiras professoras a atuar na escola, que foi fundada por seu pai em 1961, ainda com o nome de “Coelho Neto”. Ela alfabetizava crianças durante o dia e adultos à noite. A estrutura da unidade escolar, naquela época, era bem diferente do aspecto atual, pós-reforma. Havia uma única sala. “Era bem precário, mas dava para dar aula”, recorda Winefred.

Ela lecionou por lá durante quatro anos, até que decidiu viajar para São Paulo, onde se formou em Enfermagem e trabalhou durante décadas. Assim que voltou a Dantelândia, no dia 1º, deparou-se com um ambiente bem diferente daquele onde auxiliou crianças e adultos a conhecerem o alfabeto. “Hoje a escola está uma maravilha. Estou orgulhosa e até chorei de emoção, porque foi muito linda a homenagem. Valeu a pena”, disse, após o descerramento da placa que ostenta o nome de seu pai.

‘Grande poeta’ – A emoção de Winefrede não foi para menos. Várias menções ao patrono da escola foram feitas por diversas pessoas – inclusive o prefeito Guilherme Menezes, que afirmou tê-lo conhecido de perto, a ponto de ter acesso a outros aspectos de sua personalidade, como o hábito de escrever sonetos. “Nós conversamos muito. Ele era um homem de bem e também um grande poeta”, disse o prefeito.

A irmã de Winefred, Vivalda França, também se emocionou, e foi ainda além: garantiu ter reencontrado, durante a cerimônia, algo que julgava ter perdido há tempos. “Eu achava que minhas lágrimas tinham secado, porque vários parentes morreram e eu não conseguia chorar”, confidenciou. “Hoje, com a homenagem aqui feita a meu pai, fui às lágrimas. E pensei: meu Deus, minhas lágrimas não secaram. A nós, conforta muito saber que nosso pai não está esquecido”.