Por ser referência no atendimento às pessoas com doenças sexualmente transmissíveis, HIV/Aids e hepatites virais, o Centro de Atenção e Apoio à Vida Dr. David Capistrano (Caav), serviço oferecido pela Prefeitura de Vitória da Conquista, recebeu, na manhã desta terça-feira, 13, dois representantes da Agência Japonesa de Cooperação Internacional (JICA), que trabalham no escritório da Província de Gaza, em Moçambique. O objetivo foi reiterar os compromissos firmados entre a Prefeitura e a JICA, no mês de março de 2013, durante a vinda da comitiva de Moçambique, e apresentar a proposta para visita de outros profissionais de saúde moçambicanos a Vitória da Conquista.

Hiroyuki Hasegawa, assessor de formulação de projetos na área de educação e saúde

Segundo Hiroyuki Hasegawa, assessor de formulação de projetos nas áreas de educação e saúde, que é japonês e atualmente mora em Moçambique, a equipe veio buscar em Vitória da Conquista informações referentes à prevenção e à assistência às pessoas com HIV/Aids, principalmente com relação ao controle da transmissão vertical do HIV, que é a transmissão do vírus da mãe para a criança durante o seu nascimento. “Nós sabemos que este município saiu de alto índice de transmissão vertical e hoje chegou a praticamente zero de transmissão. Em Moçambique, este é um grande desafio, fazer com que as crianças não nasçam infectadas”, explicou.

Para a assessora técnica e líder do projeto na Província de Gaza, Mia Okamura, que é brasileira e há seis anos mora em Moçambique, esta é uma oportunidade de agradecer ao Governo Municipal pela acolhida aos moçambicanos no mês de março e de reiterar a parceria. “Nós pretendemos continuar com o intercâmbio de informações, principalmente no que se refere à gestão e ao processo de trabalho. Acreditamos que Vitória da Conquista possa contribuir na motivação, para que os profissionais de Moçambique não desistam da luta contra a Aids”, ressaltou.

Durante a manhã, os representantes da JICA participaram de uma apresentação sobre o funcionamento do Caav, feita pela farmacêutica bioquímica, técnica do Ministério da Saúde, Maria Teresa Moraes, e conheceram as instalações do serviço. Visitaram ainda a casa de apoio a pessoas vivendo com HIV/Aids, Renascer, que já conta com onze anos de trabalhos prestados à comunidade de Vitória da Conquista e região.

Para a coordenadora do Caav, Jaciara Mendes, a primeira visita dos moçambicanos e agora dos membros do JICA faz com que toda equipe do serviço reflita sobre a importância de seu trabalho. “Nós vivemos uma situação no Brasil totalmente diferente do que ocorre em Moçambique, lá existe uma epidemia instalada de Aids; no Brasil, vivemos o desafio de diminuir o número de pessoas infectadas a cada ano. Acredito que temos muito o que aprender uns com os outros”, avaliou.

Sobre Moçambique – País africano de língua portuguesa, Moçambique possui uma população de mais de 23 milhões de habitantes. Segundo informações do Conselho Nacional de Combate ao HIV/SIDA (CNCS), estima-se que em 2008 um total de 1,6 milhões de pessoas vivia com HIV, dos quais 37% eram homens e 54% eram mulheres maiores de 15 anos. Nove por cento correspondem a crianças entre os 0 e 14 anos. A epidemia do HIV reduziu a esperança de vida dos moçambicanos de 41 anos, em 1999, para 37 anos, em 2006. Já a Província de Gaza é composta por uma população de 1,2 milhões de habitantes, sendo que 25% desta população está infectada pelo HIV.

Referência no combate à Aids – No Caav, a equipe coordenada pela enfermeira Jaciara Mendes recepcionou os moçambicanos apresentando cada um dos espaços do serviço, que atende cerca de 700 pessoas de Vitória da Conquista e região, quem vivem com HIV/Aids. O Centro oferece atendimento médico, psicológico, de enfermagem, farmacêutico, Hospital Dia e Laboratório de CD4 e Carga Viral, que realiza por mês cerca de 350 testes de cada um desses exames.