Chegamos, nesta terça-feira, 29, à última reportagem da série sobre o Centro Pop, programa federal executado pela Prefeitura de Vitória da Conquista, por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social. E, desta vez, poderemos conhecer de forma mais abrangente o nosso personagem. Dada sua condição de maior de idade, ele poderá ter seu nome e seu rosto divulgados.

Chama-se Maurício e tem 24 anos. Quase toda a sua vida foi passada nas ruas. Quando chegou ao Centro Pop, há cerca de dois anos, conheceu o primeiro lugar que pôde, enfim, chamar de “casa”. Além de moradia, o jovem encontrou no programa o acesso a uma série de direitos indispensáveis para que pudesse se considerar um cidadão de fato.

A longa trajetória nas ruas tornou-o um jovem de personalidade “calejada”, bem mais que os outros de sua idade. No entanto, ele parece ter mais orgulho dos calos que hoje ostenta nas mãos, adquiridos durante o trabalho diário na construção civil.

‘Minha vida começou a mudar depois que o Centro Pop surgiu’

‘Minha vida começou a mudar depois que o Centro Pop surgiu’

Quando estiver concluída, a obra com mais de 600 m² de área construída, num terreno bem próximo à sede do Centro Pop, abrigará uma nova creche da Rede Municipal de Ensino. Entre os pouco mais de vinte operários em atividade ali, um se destaca pela trajetória de vida, que, se não é exatamente incomum, por certo demonstra uma surpreendente capacidade de superação.

Trata-se de Maurício de Jesus, 24 anos, o único que, por ser maior de idade, pôde ser identificado nesta série de reportagens. Ele é o educando mais velho do Centro Pop. Chegou ao serviço quando tinha 22. Antes disso, passou toda a vida perambulando pelas ruas de várias cidades baianas, até se estabelecer nas de Vitória da Conquista, aos 14. “Já nasci no mundo. Quando meu pai se separou de minha mãe, eu tinha um ano e quatro meses”, conta.

O Centro Pop foi a primeira “casa” em que Maurício foi acolhido. E ele não veio sozinho. Ao chegar, trouxe consigo um grupo de vários outros garotos mais jovens que ele. “Muitos meninos falaram que só entrariam se eu também fosse”, lembra. Dito e certo. Por respeitá-lo e tê-lo como referência desde a vida nas ruas, esses garotos foram acolhidos no serviço, influenciados pela ideia de continuar ao lado do “líder” – e, desta vez, num lugar com teto, banhos, refeições, atividades artísticas e esportivas e permanente acompanhamento psicossocial. “Minha vida melhorou bastante, e pretendo que a deles melhore também”, diz Maurício.

Não há exageros no que ele diz. Afinal, quando foi acolhido, o rapaz não tinha sequer um documento de identificação. Além de providenciar-lhe toda a documentação indispensável a qualquer cidadão, o Centro Pop lhe garantiu os estudos e o emprego na construção civil, com direito a carteira assinada.

De quebra, o serviço ainda encaminhou o jovem para uma inscrição no programa federal Minha Casa Minha Vida. O futuro apartamento faz parte de um empreendimento atualmente em construção nos Campinhos. Assim que estiver pronto, o imóvel receberá Maurício e a esposa, que aguardam pela conclusão da obra ainda vivendo na sede do serviço e participando de suas atividades.

“Minha vida começou a mudar depois que o Centro Pop surgiu”, reconhece Maurício. “Sou muito feliz. Pela situação que passei, não imaginava que iria chegar onde estou hoje”.

Confira todas as matérias da série:

Centro Pop encaminha educandos para o mercado de trabalho

Centro Pop encaminha educandos para o mercado de trabalho – Parte 2

Centro Pop encaminha educandos para o mercado de trabalho – Parte 3