Nesta série de reportagens sobre o trabalho executado pelo Governo Municipal, por meio do programa Centro Pop, chegou a vez de conhecer M., mais um adolescente que, após deixar a vida nas ruas e ser acolhido no serviço, conseguiu progredir o suficiente para que a equipe o considerasse apto à inserção no mercado de trabalho local. Da mesma forma que o jovem cuja história foi mostrada na quinta-feira, 24, M. recebeu do Centro Pop a oportunidade de trabalhar no ramo de lavagem de automóveis, só que na zona leste de Vitória da Conquista.

O emprego parece ter vindo num momento apropriado, pois M., embora seja ainda menor de idade, já se depara com uma considerável responsabilidade que terá de dividir com a namorada: o filho, ou filha – ainda não se conheceu o sexo – que deve nascer no segundo semestre deste ano. Uma das esperanças que o garoto diz ter, para o futuro da criança, é o empenho com que ele garante que atuará para que ela não repita alguns dos erros que ele, M., hoje tem consciência de ter cometido.

‘Preciso trabalhar para sustentar meu filho’

“Preciso trabalhar para ter condições de sustentar meu filho”

O adolescente M. trabalha como lavador de carros num lava-jato da zona leste da cidade. Da mesma forma que seu colega, L., o emprego foi resultado de uma intervenção da equipe do Centro Pop, graças aos progressos que o jovem vem alcançando, ao longo de seu período de acolhimento. Apesar do tempo relativamente curto no novo trabalho, M. já mereceu de sua patroa – a qual também não será aqui identificada – as qualificações de “educado” e “trabalhador”. “Ele tem um futuro promissor pela frente, pode ter certeza”, diz ela, que admitiu o garoto no lava-jato há pouco mais de três meses.

M. viveu nas ruas dos 13 aos 15 anos. Desse período, guarda um sem-número de recordações das quais não se orgulha. “Na rua, era só bagunça. Eu xingava, esculhambava”, diz. Os ambientes aos quais se habituou a frequentar novamente, como o posto onde trabalha, são bem diferentes. “Aqui a pessoa não pode fazer tudo o que quer. Tem regras”, registra. Entre os dois tipos de vida, ele não deixa dúvidas quanto àquele pelo qual optou, com ajuda da equipe do Centro Pop: “Em um lugar que tem regras, não pode ter bagunça”.

Hoje com 17 anos, e ainda tendo a sede do Centro Pop como referência principal de moradia e vivência, M. vive com as atenções voltadas para o emprego, os estudos, a namorada e o filho recém-concebido, que deverá nascer entre setembro e outubro. “Preciso trabalhar para ter condições de sustentar meu filho”, diz o jovem futuro pai. “Quero que ele seja uma pessoa que não use drogas nem faça nada de errado”.