Hoje, 23 de abril, publicamos a primeira reportagem da série sobre o trabalho desenvolvido pelo Governo Municipal, por meio do programa Centro Pop, especificamente no que diz respeito ao encaminhamento de adolescentes para o mercado de trabalho. O primeiro personagem aqui retratado é um jovem que, assim como seus colegas, tem muitas histórias para contar dos tempos em que viveu em situação de rua, apesar da pouca idade. Com a ajuda do programa – e, sobretudo, graças à sua própria determinação – ele está conseguindo dar novos encaminhamentos à própria trajetória. E parece já estar convencido de que, a partir de agora, isso implicará em priorizar novas atividades, às quais ele vai gradualmente se habituando.

‘Que tudo dê certo para mim’

“Quero começar a trabalhar. E que tudo dê certo para mim”

Aos 17 anos, acolhido pelo Centro Pop há pouco mais de dois anos, G. tem hábitos simples. Acorda cedo, toma café e vai jogar bola com outros adolescentes num campinho situado dentro dos limites da sede do serviço. Após almoçar, segue para o programa Conquista Criança, onde participa de atividades físicas, esportivas e culturais. O turno da noite é reservado aos estudos no 7º ano do Ensino Fundamental da Escola Municipal Edivanda Maria Teixeira, onde está matriculado desde que se tornou um educando do Centro Pop.

Além de simples, os atuais hábitos de G. são bem mais saudáveis e em nada lembram os que ele mantinha até há pouco mais de dois anos, quando ainda vivia nas ruas de Vitória da Conquista, sem vínculos familiares e exposto a toda sorte de ameaças. Junto com outros garotos, chegou a inalar, num só dia, duas latas de “tinner” – um poderoso solvente para tintas e vernizes. O garoto viu seus vínculos com a família serem fragilizados, após vários desentendimentos. A vida nas ruas durou até que ele fosse plenamente convencido pela equipe de abordagem do Centro Pop, cujo trabalho consiste em ir até os jovens em situação de rua e atraí-los para o serviço.

Esse cotidiano, em breve, será modificado graças à mais recente conquista a que G. teve direito. Por meio de uma parceria entre o Centro Pop e o Serviço Social da Indústria (Sesi), o garoto está prestes a começar no primeiro emprego de sua vida: trabalhará numa empresa de alimentos, na condição de jovem aprendiz.

G. teve direito a um uniforme e uma bicicleta, esta cedida pela empresa para que ele possa se locomover até o trabalho. Receberá uma remuneração mensal e, assim que completar 18 anos, terá sua carteira de trabalho assinada. “Quero começar a trabalhar. E que tudo dê certo para mim”, deseja o futuro celetista. Assim que começar o batente, as manhãs atualmente dedicadas ao futebol passarão a ser totalmente voltadas para o trabalho. Restarão, para a bola, os sábados e domingos. “E também os finais de tarde, quando volto do Conquista Criança, antes de ir para a escola”, registra o garoto, sorridente.