Para Rosemary, na CIL além do serviço de acessibilidade, ela encontra acolhimento

Desde o início da pandemia, mais de 470 atendimentos de acessibilidade comunicacional foram realizados

O mundo silencioso de Rosemary Alves, 31, tem encontrado sentido e acolhimento na Central de Interpretação de Libras (CIL), mantida pela Secretaria Municipal de Educação. Aos poucos, a dona de casa, que mora no povoado de Caiçara, está deixando para trás um passado marcado pela solidão por não conseguir, na maior parte do tempo, se comunicar com as pessoas ao seu redor, e pela falta de acesso a direitos e serviços.

“Quando eu descobri a Central de Libras, passei a me comunicar e aprender mais sobre a Língua Brasileira de Sinais. Aqui o pessoal me entende e eu consigo compreender”, contou Rosemary, que só havia tido contato com a Libras anos antes, mas de forma muito superficial. “A Libras tem aliviado a minha vida”, afirmou.

O alívio a que Rosemary se refere diz respeito também a conseguir ser compreendida em outros locais, como a previdência social, bancos e hospitais, graças ao serviço de acessibilidade comunicacional oferecido pela CIL. Ou seja, quando o intérprete acompanha o usuário nestas situações. Mais de 470 atendimentos foram realizados desde o início da pandemia.

“Pra mim, trabalhar com os surdos, não é apenas oferecer atendimento acessível, é também acolhimento e motivo de muita emoção porque participamos e compartilhamos de todos os desafios e sucessos deles. Quando um surdo consegue ter suas necessidades atendidas, pra mim, é uma satisfação”, confidencia a coordenadora da CIL, Jaqueline França.

Ao fazerem o gesto que representa a CIL, Maria das Graças e Rosemary desejam que mais pessoas aprendam a Língua de Sinais

Rosemary não sabe ler, para pegar o transporte que a traz até a zona urbana, decorou as letras e a disposição delas, e ainda sente dificuldade para ser entendida por pessoas próximas. Por isso que, o desejo dela, neste 24 de abril, Dia Nacional da Libras, é o mesmo de outra pessoa atendida na CIL, a empacotadora de uma rede atacadista, Maria das Graças Silva, 48.

“Quando mais nova, sofri muito por conta da minha surdez, só estudei até o 2º ano do Fundamental e me sinto muito triste por isso. E o que eu desejo é que cada vez mais pessoas aprendam Libras porque a comunicação é muito importante. Meu marido me ensinou, tenho aprendido aqui na CIL também e já ensino para meu filho de 4 anos alguns sinais”, contou Maria das Graças.