Palestra com o tema “Orgulho de ser surdo” foi realizada na quinta-feira, 21; data comemorativa é no dia 26 de setembro

Diante de um slide que mostrava uma lista de frases com a estrutura “orgulho de ser…”, completada por termos como “mulher”, “índio”, “negro”, “LGBT” e “surdo”, a professora Priscilla Leonnor Ferreira sintetizou a proposta de sua palestra. “O que é mais importante é o amor, a humanidade”, afirmou. “Nós precisamos ter orgulho do que somos. Por isso, eu tenho orgulho de ser surda”.

Foi com essa programação, que trazia o tema “Orgulho de ser surdo”, que a Central de Interpretação de Libras (CIL) – vinculada à Secretaria Municipal de Educação – se antecipou às comemorações pelo Dia do Surdo, data oficialmente celebrada na próxima terça-feira, 26 de setembro. A atividade foi realizada nesta quinta-feira, 21, na Secretaria Municipal de Trabalho, Renda e Desenvolvimento Econômico (Semtre).

Como participantes, havia alunos dos cursos de Libras oferecidos pela Secretaria Municipal de Trabalho, Renda e Desenvolvimento Econômico (Semtre), nas modalidades “básico” e “intermediário”, e ainda pais de crianças atendidas pela equipe de Atendimento Educacional Especializado para Alunos com Surdez (AEE), sediada no Centro Municipal de Educação Professor Paulo Freire (Caic).

“Este evento foi para a gente compartilhar com a comunidade, com os alunos que estão aprendendo Libras no curso, e com os pais, para eles terem informações sobre a Central de Interpretação e os serviços que a gente oferece também para a família do surdo. E também os surdos de nossa comunidade, que vieram prestigiar o nosso evento e alegrar este dia”, explicou a coordenadora da CIL, Jaqueline França.

‘Conhecendo e interagindo’ – Mas também foi um dia para reencontros e surpresas – especialmente para o vendedor Henrique Tiago Souza, 29 anos, aluno do curso de Libras na modalidade “intermediário”.

Há cerca de um ano, quando trabalhava numa loja de eletrodomésticos, ele foi atender uma cliente e percebeu que ela estava tendo dificuldades para ser compreendida por outros vendedores. “Percebi que ela era surda”, lembra ele, que se prontificou a atendê-la. Mesmo sem conhecer a Libras, ele conseguiu efetivar a compra da mercadoria – um fogão. Mas, para isso, foi decisiva a incrível facilidade que a cliente tinha para se comunicar, inclusive com os ouvintes.

Esse episódio motivou Henrique a se inscrever na modalidade “básica” do curso de Libras, há três meses, e a prosseguir com o aprendizado, agora no curso “intermediário”.

“Em um primeiro momento, seria um enriquecimento curricular”, disse Henrique. “Só que, depois, eu percebi que eles são pessoas meio que isoladas. E a gente acaba participando, conhecendo mais, interagindo com eles. Então, isso foi me chamando a atenção. E, a cada vez, que eu faço, vai me dando mais conhecimento”, acrescentou.

‘Choque’ – E, ao participar da palestra desta quinta-feira, ele viu que a palestrante era exatamente a pessoa que ele atendeu quando trabalhava na loja de eletrodomésticos: Priscilla Leonnor, professora de Libras e mestranda em Ensino pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb). “Tomei um choque”, confidenciou, ao mencionar a “enorme satisfação” que sentiu por se aprender a se comunicar com o público surdo. “Fiquei muito contente. E isso me enriqueceu mais por poder continuar no curso e querer mais”.