A cantora EuLá, que está participando do The Voice Brasil, da Rede Globo, foi uma das presenças destacadas no encerramento da segunda edição do projeto Cirandando, promovido pela Secretaria Municipal de Educação (Smed), que teve como tema “Vivências na Educação Especial”.

A culminância do 2º Cirandando ocorreu ontem (3), Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, no Planetário do Centro Glauber Rocha, com uma programação que incluiu palestra, rodas de conversas, apresentações culturais e a participação especial de EuLá.

A palestrante foi a professora e coordenadora do Curso de Psicologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Pós-doutora Patrícia Martins de Freitas, que relatou as vivências que dela no trabalho de inclusão com crianças portadoras de transtorno do neurodesenvolvimento. “Nós temos um grupo de pesquisa na UFBA que se chama Neurônia e que faz trabalhos de adaptação curricular para que essas crianças tenham uma inserção mais tranquila, com uma maior efetividade no processo de aprendizagem, dando suporte aos professores e equipe que vai acompanhar esta criança”, disse.

O secretário Edgard Larry afirmou a culminância do 2º Cirandando foi um momento muito especial e que o ideal é ter mais de uma edição ao ano. “Precisamos ter a sensibilidade, o cuidado, responsabilidade de contribuir, participar para que as coisas sejam melhores, possíveis para todos indistintamente”. Destacou que o município vem fazendo um trabalho brilhante na área da educação especial inclusiva, através de uma equipe competente e bastante compromissada. “Quero expressar minha alegria e que eu possa contribuir mais, inclusive investir mais em educação inclusiva e nas salas multifuncionais. É nosso dever trabalhar no sentido de uma acessibilidade cada vez melhor, e que não seja apenas material, mas também no âmbito das atitudes”.

Após uma linda apresentação musical com destaque para a canção Aquarela, autoria de Toquinho e Maurizio Fabrizio, EuLá passou a fazer parte da composição da mesa, quando apresentou um testemunho pessoal da dificuldade que começou a ter nos estudos com seu problema de visão, mas lembrou o apoio e a compreensão da professora na alfabetização que percebeu a situação. “O quanto é importante para mim hoje estar aqui e poder ter voz, fazer a diferença a tantas crianças que ainda não se entendem, como muitas famílias que ainda não perceberam esta criança”.

A cantora elogiou a grandeza do evento e afirmou que vai continuar usando sua voz para chamar a atenção para o cuidado com as crianças. “Os lugares onde eu tiver microfone para cantar e falar, eu preciso fazer pelas crianças que estão inseridas em famílias que estão cegas mentalmente, de preconceito, e se recusam a proporcionar uma vida de mais qualidade e segurança para elas”, afirmou.

Participando do evento a professora de Língua Brasileira de Sinais (Libras), Milania Santos Bonfim, disse que o encontro foi “um momento especial por causa do Dia da Pessoa com Deficiência, uma data importante, de visibilidade a essas pessoas, e eventos como este são importantes para a sociedade estar ciente, consciente da pessoa com deficiência”, concluiu.

Projeto Cirandando – Representando o núcleo pedagógico de educação especial da Smed, a professora Gilnúbia Rosa Mendes da Silva esclareceu que o projeto Cirandando surgiu em 2019 e que o nome foi pensado nesta perspectiva: uma ciranda onde todos podem se dar as mãos em prol de um único objetivo que é fazer a inclusão acontecer. Hoje na rede municipal são 19 salas de recurso, 1.040 alunos com deficiência matriculados, 575 sendo atendidos nas salas de recurso, 2 polos/salas de Atendimento Educacional Especializado (AEE) para pessoas com surdez. Há o trabalho da Central de Interpretação de Libras (CIL) e o apoio da Associação Conquistense de Integração do Deficiente (Acide), “tudo em forma de ciranda”, concluiu.