Em 2013, onze barragens foram construídas para garantir o acúmulo de água no município e prevenir contra os efeitos da estiagem

Poço Feio

Após um ano inteiro de trabalho na lavoura, no povoado de Poço Feio, localizado na região do distrito de Bate-Pé, o agricultor José da Silva, 59 anos, permitiu-se um breve período de descanso em dezembro de 2013. Ao lado da esposa, Regina, ele viajou a São Paulo e passou os festejos de Natal e Ano-Novo em companhia dos filhos. Quando o casal retornou a Vitória da Conquista, já nos primeiros dias de janeiro deste ano, Silva deparou-se com um cenário bem diferente do que deixara ao embarcar para a capital paulista: por conta das chuvas que caíram sobre o município, encontrava-se em fase de “sangramento” a barragem construída ali em setembro, pela Prefeitura Municipal.

José da Silva

Além do largo espelho d’água, outra grata surpresa: os pés de melancia e banana, plantados por ele no entorno da barragem, antes de viajar, já se apresentavam em pleno desenvolvimento. Para aguá-los, Silva se havia utilizado dos primeiros milhares de litros de água acumulados pela obra municipal. “Todo dia eu pegava água lá e ia molhando”, recordou o agricultor no entardecer da última sexta-feira, 17, enquanto ostentava, com ar de orgulho, algumas das primeiras melancias, já robustas e maduras.

“É uma água boa e limpa, e é da comunidade. Então, a gente tem que cuidar. Estamos muito satisfeitos”, afirmou Silva, referindo-se ao fato de que, embora tenha sido construída em sua propriedade, a barragem é de uso coletivo. A obra pode acumular cerca de 80 milhões de litros de água, beneficiando diretamente 40 famílias da região. Os moradores já instalam mangueiras no barramento, a fim de que conduzam a água até suas casas por meio da gravidade.

Jurandir Ferreira e família

‘Água para muito tempo’ – Perto dali, nas localidades de Pau Ferro I e Pau Ferro II, outras duas barragens, igualmente construídas pela Prefeitura, também “sangraram” e já trazem novas perspectivas para os moradores. Na de Pau Ferro II, a vara de madeira, fincada no ponto mais profundo e quase que totalmente submersa, evidencia que o espelho d’água já possui pelo menos quatro metros de profundidade. O lavrador Jurandir Ferreira e sua esposa, Maria de Fátima, que moram nas imediações, já fazem planos: pretendem utilizar a água para irrigar suas plantações, nas quais cultivam feijão, milho, abóbora e melancia, além de manter as pequenas criações de porcos e galinhas. “É bom porque serve para todo mundo”, observou Jurandir. “Não vai faltar água, não. Tem água para muito tempo, aí na barragem”.

‘Momento especial’ – A capacidade de acumulação das três barragens – Pau Ferro I, Pau Ferro II e Poço Feio – chega a 140 milhões de litros de água. O número total de famílias diretamente beneficiadas por esses reservatórios gira em torno de 180, em parte da região de Bate-Pé. Entregues oficialmente à comunidade em setembro de 2013, as três estão incluídas entre as onze que foram construídas pelo Governo Municipal, durante o ano passado.

“É um momento especial para a comunidade da zona rural. Com o início das chuvas, as barragens estão cheias”, afirma o secretário municipal de Agricultura, Odir Freire. “O principal objetivo do Governo Municipal foi alcançado: aumentar a reserva de água no município, para uso animal e produção agrícola”.