A atividade foi realizada em dois momentos e contou com palestras e apresentações culturais

“Estou com expectativas bastante positivas em relação ao cursinho. Espero alcançar o meu objetivo de entrar na universidade no final do ano”, disse o comerciante Danilo Nascimento da comunidade de São Joaquim de Paulo. Assim como Danilo, dezenas de jovens de comunidades quilombolas participaram, na noite dessa segunda-feira, 15, da aula inaugural do curso Pré Vestibular Quilombola.

Oferecido pela Coordenação de Igualdade Racial, em parceria com os núcleos de associações quilombolas do Território da Região Sudoeste da Bahia, o curso é mais uma política de ação afirmativa e valorização da juventude quilombola.

Este ano, 100 alunos estão matriculados nos turnos matutino e noturno. Além de matérias comuns ao currículo dos cursos pré vestibulares, os estudantes terão contato com a disciplina Cidadania e Cultura, que é voltada à identidade, realidade e cultura quilombola.

Em sua fala aos presentes, o prefeito Herzem Gusmão fez um resgate histórico da educação em Vitória da Conquista e ressaltou que a revolução no país será feita de forma pacífica, por meio da educação. Sobre as políticas educacionais para o município, o gestor declarou: “estamos investindo em material didático, valorizando os professores, os funcionários das escolas e melhorando os espaços educacionais, além disso, ampliamos as parcerias do cursinho, inclusive com a Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, que conta com turmas no povoado de Veredinha através do Programa Universidade para Todos”.

O coordenador municipal de Promoção da Igualdade Racial, Beto Gonçalves, lembrou que todos os professores são voluntários. Beto também explicou que a Prefeitura está buscando alternativas para viabilizar o transporte dos estudantes que vêm das comunidades quilombolas apenas para assistir as aulas.

A estudante Lavínia do Prado, do distrito de Pradoso, acredita que as aulas vão contribuir muito para o seu aprendizado. “Estou aqui principalmente pela disciplina de redação. Além disso, fiquei sabendo que os professores são muito bons”, completou.

O professor de Língua Portuguesa e Literatura, Franklin Morais, que atualmente faz doutorado na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) falou sobre a importância da iniciativa. “Sabemos que existem vagas reservadas para quilombolas e indígenas e elas devem ser preenchidas. Sobre a decisão de dar aulas voluntariamente, o professor foi enfático: “essa é uma forma de retribuir o apoio do Estado e todas as bolsas que recebi em minha carreira acadêmica”.

A aula inaugural contou ainda com apresentações culturais de membros da Associação de Capoeira Viva Conquista e de palestra com a professora da Universidade da Bahia (Uneb), Luciana Pereira. Em sua fala, a discente apresentou alguns aspectos que dão sentido ao acesso dos estudantes quilombolas ao Ensino Superior. “O conhecimento que vocês vão adquirir aqui vai refletir na comunidade de vocês”, disse.

Pela manhã, a aula inaugural também contou com apresentações e palestras, além da presença de membros do Governo Municipal, entre eles o chefe de Gabinete Civil, Marcos Ferreira, que, na ocasião, representou o prefeito Herzem Gusmão.