Defensor incansável da cultura popular e das raízes brasileiras, o escritor tratará de cultura e juventude

A divulgação em torno da conferência de abertura do Festival da Juventude – Ano II, com data marcada para o dia 10 de maio, às 15h, no Centro de Convenções Divaldo Franco (CCDF), provocou, desde cedo, certa movimentação e curiosidade nos diversos segmentos jovens sintonizados com o evento. Detalhe importante: o conferencista é um respeitável senhor de 84 anos. Outro detalhe, mais importante ainda e decisivo: esse respeitável senhor é Ariano Suassuna.

A notícia de que o escritor estaria em Vitória da Conquista, por si só, justifica o interesse do público jovem em torno da figura de Suassuna. Mesmo os que o conhecem somente por seu trabalho mais difundido, “Auto da Compadecida”, publicado originalmente em 1955, reconhecem a perenidade de sua obra. E admitem que Suassuna tem muito a dizer ao público jovem. Não por acaso, o tema de sua conferência abordará dois itens básicos: cultura e juventude.

Dessa forma, o Governo Municipal mantém, com a segunda edição do festival, o mesmo nível da primeira, cuja conferência de abertura teve a presença de outro respeitável senhor: o teólogo Leonardo Boff. O público, majoritariamente composto por jovens, lotou o espaço do CCDF para ouvir as palavras de Boff a respeito de temas tão atuais quanto os que, agora, estarão presentes no encontro com Suassuna.

Homem da Cultura – Embora tenha passado a maior parte da vida em Pernambuco, Ariano Suassuna é paraibano de João Pessoa, onde nasceu em 16 de junho de 1927. Membro da Academia Brasileira de Letras desde 1990, onde ocupa a cadeira de número 32, Suassuna tem obras traduzidas para línguas como inglês, alemão, francês, espanhol, polonês e holandês. É reconhecido como dramaturgo, romancista, poeta, ensaísta e, sobretudo, um defensor incansável da cultura popular e das raízes brasileiras – especialmente a nordestina.

A primeira peça, escrita em 1947, foi “Uma Mulher Vestida de Sol”. A partir daí, vieram “O Desertor de Princesa” (1948, ainda inédita); “Auto de João da Cruz” (1949), “O Arco Desabado” (1952), “O Santo e a Porca” (1957), “O Casamento Suspeitoso” (1957), “A Pena e a Lei” (1955), “Farsa da Boa Preguiça” (1960), “A Caseira e a Catarina” (1962), “Romance d’A Pedra do Reino e o príncipe do sangue do vai-e-volta” (1971).

Suassuna ocupou cargos federais e estaduais na área da Cultura, nos anos 60 e 70. É doutor em História pela Universidade Federal de Pernambuco, onde atuou como professor por 32 anos. Ao completar 80 anos, em 2007, foi homenageado em todo o Brasil.