O Centro Cultural Glauber Rocha transformou-se em uma grande sala de cinema a céu aberto com a realização do projeto Cine Sustentável ao Ar Livre. O evento, que uniu a magia da sétima arte à conscientização ambiental, foi promovido pelo Ministério da Cultura em parceria com o Sicoob, e contou com o apoio logístico e institucional da Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista.

A iniciativa democratizou o acesso à cultura ao exibir produções cinematográficas gratuitas para todas as idades, utilizando uma estrutura alimentada por energia limpa e com foco na sustentabilidade.

Para a gestão municipal, o evento cumpriu com louvor o papel de movimentar e ocupar os espaços públicos com arte, educação e valorização da cultura local. “Tudo que movimenta e incentiva a cultura, a arte, é prazeroso a gente apoiar. Então para a Secretaria de Cultura é muito gratificante contribuir para uma arte que muda de fato as pessoas como é o cinema”, destacou o coordenador municipal de Cultura, Adriano Gama.

“Através da parceria, trouxemos mais de 200 alunos entre a EJA e o Brasil Alfabetizado tanto da Zona Rural como da Zona Urbana da Rede Municipal de Ensino. Muito deles nunca tiveram oportunidade de assistir um filme e estiveram aqui”, comentou Silvane Brito, coordenadora pedagógica da Smed.

A recepção calorosa do público conquistense e a parceria com o município também foram elogiadas por quem esteve na linha de frente da realização do projeto: “Se não fosse a Prefeitura, seria impossível a realização do projeto. Além da exibição de cinema, a gente produz um filme da cidade em um único dia e levamos oficinas de fotografia para adolescentes e terceira idade. É um projeto de cinema, de cultura, e que tem uma coisa muito importante, que é a valorização da cultura local. Isso, para a gente, é super importante”, disse Inácio Nevez, idealizador e organizador.

Um dos momentos marcantes da noite de ontem foi a apresentação musical da estudante quilombola Mari Porto, moradora do povoado de Cabeceira e aluna da Escola Municipal Francisco Antônio de Vasconcelos. “Ver uma menina de 15 anos de idade, que mora no interior, num distrito, poder estar aqui se apresentando, nos deixa muito orgulhosos de poder oferecer essa possibilidade”, elogiou o Inácio.

Mari, que contou com o suporte da Secretaria Municipal de Educação (Smed) e o incentivo do projeto, compartilhou a emoção da experiência: “Eu comecei cantando na igreja quando tinha meus seis, oito anos de idade. Abrir esse projeto na cidade foi bom, foi maravilhoso. Eu juro que pensei que ia ficar com muito medo, comecei a tremer, mas foi super tranquilo, me senti acolhida e foi muito bom. A escola e a secretaria me apresentaram a oportunidade, perguntaram se eu queria cantar e eu falou que queria”, relatou Mari Porto.

Rita, estudante do programa Brasil Alfabetizado, expressou a satisfação em fazer parte do momento: “Para a gente que estuda no Brasil Alfabetizado, participar de um evento assim é maravilhoso. É uma oportunidade muito boa de sair de casa, se reunir com os colegas de sala e assistir a um cinema bonito e organizado em um lugar amplo como o Glauber Rocha.

Rita

E esse intercâmbio entre diferentes gerações já havia começado pela manhã, quando o projeto realizou uma oficina de fotografia que reuniu jovens do Núcleo de Cidadania de Adolescentes (Nuca) e idosos do Centro de Convivência do Idoso (CCI).

As secretarias municipais de Cultura e de Educação atuaram em conjunto para garantir o suporte logístico necessário ao público e a recepção dos alunos durante a programação.