Em Vitória da Conquista as mulheres que sofrem violência, especialmente a violência doméstica, contam com o apoio da Rede de Enfrentamento a Violência contra a Mulher e de uma estrutura de atendimento mantida pela Prefeitura Municipal, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Social, onde se destaca o Centro de Referência da Mulher Albertina Vasconcelos (Crav).

O Crav é um espaço destinado à prevenção e enfrentamento desta violência com ações especializadas e a oferta de atendimento psicológico, jurídico e social, bem como encaminhamento à rede de serviços do município para mulheres vítimas de assédio sexual e outros tipos de violência.

Uma das ações mais recentes do órgão, foi a realização, na terça-feira (9), de uma ação denominada “Ciranda com Elas”, como parte da programação do Agosto Lilás, uma campanha pelo fim da violência contra a mulher,

Durante a atividade, as usuárias participaram de uma dinâmica em que retiravam papéis de uma caixa com características que poderiam se aplicar ou não ao companheiro. O objetivo era identificar se a situação expressava uma forma de violência e explicar porque.

“Hoje eu vi que nós amamos a nós mesmas. Somos mulheres frágeis aos olhos deles, mas aqui ficamos fortes. E vamos passar isso a outras mulheres para elas terem essa experiência boa, um espaço onde vamos encontrar força em nós mesmas, uma passando a experiência pra outra”. Esse foi o depoimento de Cristina dos Santos, que se emocionou ao compartilhar as agressões sofridas ao longo de 16 anos de casamento. “Me senti bem, chorei, desabafei”, contou.

Além de promover um momento de escuta e acolhimento entre vítimas que já viveram experiências parecidas, a atividade contextualizou as formas de violência narradas com os dispositivos da Lei Maria da Penha, como ficou conhecida a Lei 11.340/2006. No dia 7 de agosto, a lei completou 16 anos de implantação e é considerada um dos principais instrumentos legais para coibir atos de violência doméstica.

Dayane e a delegada Gabriela Garrido

Para a coordenadora de Políticas Públicas para Mulheres, Dayana Andrade, a proposta foi unir os grupos que realizam atendimentos mensais no Crav, para dialogar sobre a lei. “É um momento de troca, em que elas se abrem e falam das suas vivências, e uma encoraja a outra, a fala de uma fortalece a outra. A violência é inviabilizada, e muitas mulheres não conseguem se abrir nem com seus familiares, têm dificuldade de expor a violência que vivem. Esses momentos em grupo, quando elas se abrem, eu já considero uma vitória. Elas se entregam ao acompanhamento, ao atendimento da equipe técnica do Crav”, afirmou.

Centro de Referência da Mulher

Os encontros em grupo mencionados por Dayana são apenas uma das rotinas do Centro de Referência Mulher Albertina Vasconcelos. No espaço, as vítimas de violência também recebem atendimento psicológico, jurídico e socioassistencial. O objetivo é romper o ciclo de violência e resgatar a autonomia e a autoestima da mulher.

Assim está sendo o processo de J.C.J., usuária do Crav há cerca de três anos, desde que resolveu denunciar os maus-tratos do ex-marido. “Cheguei aqui com muita dor, com muita dificuldade, muito sofrimento. Fui bem acolhida pela equipe desde o início, recebi orientação em todos os sentidos, tanto na questão de advogado, quanto na questão psicológica. Me ajudou muito a enfrentar a situação, eu só tenho a agradecer por esse período que venho sendo acompanhada, já me vejo hoje em uma etapa de evolução através desse acompanhamento que recebo aqui”, avaliou.

Rede de Proteção

Um dos trabalhos do Crav é encaminhar as usuárias aos serviços oferecidos pela Rede de Proteção e Atenção à Mulher. Um deles é a Delegacia de Atendimento Especializado à Mulher (Deam), que foi representada na atividade pela delegada titular do órgão, Gabriela Garrido.

“A situação de violência doméstica isola muito a mulher, muitas vezes da própria família, da família do marido que ela convivia. Então é importante formar esses vínculos e humanizar o serviço, para elas terem acesso a mim, para saber que eu conduzo os inquéritos e que elas podem perguntar, podem tirar as dúvidas. É importante porque isso forma a confiança e faz com que elas se sintam à vontade e também sejam disseminadoras do serviço, porque o bom atendimento é nosso melhor cartão de visita para que elas denunciem”, disse a delegada.

O Governo Municipal está finalizando a escuta dos serviços considerados porta de entrada para as vítimas, como a Deam, Ronda Maria da Penha, Vara Especializada, Núcleo de Prevenção e Monitoramento da Violência nas Escolas, Conselhos Tutelares, Cras, Creas e Ministério Público. O objetivo é mapear o fluxo de atendimento de cada órgão, para construir o protocolo de atendimento da Casa Rosa.