O telefone 199 toca na central da Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil (Compdec), do outro lado uma pessoa pede ajuda. A solicitação é encaminhada à equipe da Defesa Civil – que nos últimos dez dias, esteve concentrada no Deserg, centro de operações da força-tarefa de enfrentamento aos efeitos da chuva -, e um dos técnicos é designado para verificar a ocorrência.

Vanessa Muniz Lins Viana faz parte da equipe que, por conta da situação de emergência, não parou de trabalhar nenhum dia. Ela está na Defesa Civil há sete anos e nos últimos 60 dias ajudou a resolver várias situações difíceis por conta dos temporais que atingiram o município.

Na última semana, ela foi com o barco do Corpo de Bombeiros prestar socorro a uma idosa isolada no distrito de São João da Vitória, e conseguiu chegar em outra comunidade de difícil acesso contando com a ajuda do Club do Jeep.

“Eu sou mãe, esposa, dona de casa e profissional. Mas, nos últimos dias, com todos esses acontecimentos de emergência em nossa região, estou me dedicando somente à profissão – o que eu faço com muito amor”, diz ela.

A dona de casa Eloina foi uma das pessoas atendidas

E essa dedicação é reconhecida. “A Defesa Civil está dando muito apoio pra mim, porque eu tenho problema de depressão e eles tão sendo super educados pra mim e pros meus meninos, que eu não sei nem o que seria”, afirmou Eloina Pires, que teve uma parede da sua casa derrubada no loteamento Renato Magalhães, devido à chuva do dia 5 de novembro, e estava numa casa emprestada até a véspera do Natal, quando a proprietária do imóvel colocou a família para fora.

Segundo o filho mais velho de Eloina, Érico Gonçalves, de 23 anos, foi uma das piores humilhações que a família teve. Ele e dois irmãos ficaram num cômodo construído às pressas no terreno e a mãe e os três filhos mais novos foram para um abrigo provisório da Prefeitura, onde recebem toda a assistência do Município.

Encontro no abrigo do Campinhos

Na última sexta-feira (31) pela manhã, Vanessa, que acompanha o caso desde o início, fez questão de, entre uma ocorrência e outra, levar uma cesta básica montada pela Prefeitura para os filhos mais velhos que ficaram no imóvel. No final daquele dia, por consciência ou providência, a técnica em Defesa Civil realizou sua última tarefa na Escola Municipal Celina de Assis, no Campinhos, bem onde dona Eloina está instalada. Quando Vanessa já estava entrando no carro da Defesa Civil, encerrando seu expediente para celebrar um novo ano, eis que dona Eloina vem ao seu encontro e lhe agradece, desejando um feliz 2022.

Emocionada, a comunicativa Vanessa entra no carro e segue em silêncio. Hoje, ela consegue comentar a sensação de dever cumprido. “Poder ajudar aquela família e ver um sorriso no rosto daquela mãe, em meio a tantas lutas que ela vem passando, não tem preço. “É gratificante escutar o agradecimento daquela família. E saber que é o mínimo o que eu posso fazer por elas”, completa.

Ontem (2), Vanessa e um assistente social da Semdes estiveram em Cachoeira dos Porcos, e no sábado (1°), nos povoados de Lagoa de Maria Clemência, Oiteiro e Manoel do Antônio, distribuindo cestas básicas. No povoado do Saguim, ela e um engenheiro civil da Seinfra vistoriaram uma casa que corria risco de desabamento.