A iniciativa irá beneficiar hortas comunitárias e comunidades tradicionais

A Prefeitura de Vitória da Conquista oficializou, nesta quarta-feira (20), a adesão à implantação de unidades do Sistema Integrado para Produção de Alimentos, conhecido como Sisteminha. O ato aconteceu durante atividade de integração realizada no auditório do Centro de Convivência do Idoso (CCI), que contou com a participação de representantes do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) do Maranhão, do Governo Municipal, agricultores das hortas comunitárias e de comunidades tradicionais.

Durante a atividade, a prefeita Sheila Lemos destacou a importância da parceria entre o Governo Federal e o município para fortalecimento das ações voltadas à segurança alimentar das famílias conquistenses. “Nós já desenvolvemos um trabalho muito importante nas hortas comunitárias, com produção de hortaliças, frutas e verduras. Essa iniciativa chega para somar e oferecer novas formas de produção para essas famílias. É uma novidade, o que tem de melhor dessa tecnologia no Brasil chegando em Vitória da Conquista. Nosso Governo está pronto para abraçar essa inovação e, futuramente, ampliar para outros territórios, para além das hortas e dos terreiros”, enfatizou a chefe do Executivo.

Desenvolvido pela Embrapa Maranhão, em parceria com a Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), o Sisteminha é uma tecnologia social de produção integrada de alimentos criada para ampliar o acesso à alimentação e fortalecer a produção sustentável em pequenos espaços urbanos e periurbanos. Em Vitória da Conquista, a execução da iniciativa será coordenada pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (Semdes), por meio das coordenações de Segurança Alimentar e Nutricional (Cosan) e de Promoção da Igualdade Racial (Coopir).

Segundo a coordenadora de Segurança Alimentar e Nutricional, Karine Barros, a assinatura do termo de cooperação técnica marca o início efetivo da implantação das unidades no município. “Hoje demos um grande passo para a implantação do Sisteminha em Vitória da Conquista. Após a assinatura do termo, as unidades selecionadas vão participar de formação, mobilização e, em seguida, da implantação do sistema no município. Isso será fundamental para fortalecer a segurança alimentar e nutricional das famílias conquistenses”, afirmou a coordenadora.

Representando o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), a consultora da Secretaria Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sesan), Elisa Carvalho Lauer, reconheceu o protagonismo de Vitória da Conquista no investimento de ações de fortalecimento da Política de Segurança Alimentar e Nutricional. “Vitória da Conquista é um município bastante engajado na agenda de segurança alimentar e nutricional e, por isso, é um dos municípios pelos quais iniciamos a implantação das unidades do Sisteminha. Ao aderir à implantação, o município passa a ter 15 unidades dessa tecnologia social, favorecendo a produção de alimentos saudáveis no ambiente urbano junto a povos e comunidades tradicionais, qualificando o seu sistema alimentar urbano”, detalhou a representante MDS.

Produção sustentável e fortalecimento comunitário

O modelo é voltado à produção sustentável de alimentos em pequenos espaços urbanos e periurbanos, integrando módulos como piscicultura, criação de aves, cultivo de hortaliças, composteira e minhocário, em um sistema baseado no reaproveitamento contínuo de recursos. Além de ampliar o acesso à alimentação, o Sisteminha também possibilita geração de renda por meio da comercialização do excedente da produção.

A chefe adjunta de Transferência de Tecnologia da Embrapa Maranhão, Guilhermina Cayres, pontuou que o Sisteminha reúne tecnologias voltadas à produção integrada de alimentos e fortalecimento da autonomia das famílias. “Mais do que uma tecnologia social, é uma tecnologia de impacto social, que consiste em um conjunto de tecnologias adaptadas para pequenos espaços. São os 5 módulos básicos que compõem o sistema: peixes, frango ou principalmente ovos, produção vegetal, minhocário e compostagem. Esses módulos básicos vão garantir segurança alimentar  das famílias e até mesmo a comercialização do excedente visando fortalecer a renda familiar”, explicou a representante da Embrapa.

Em Vitória da Conquista, o Sisteminha será implantado nas hortas comunitárias dos bairros Jardim Valéria, Vila América, Recanto das Águas e Kadija. Em articulação com a Coordenação de Promoção da Igualdade Racial (Coopir), a iniciativa também contempla a Associação Espiritualista Terreiro de Umbanda Vô Tião Casa de Caridade Nhá Chica, o Terreiro Ise Asé ABC Alá Ketu, o Terreiro Ilê Asé Aiyê Osun Karê, o Terreiro de Umbanda Reino das Almas, o Terreiro de Umbanda Oxóci Martim da Quibanda, o Ilê Axé Alaketu Omi Ogbá e a Comunidade Quilombola do Velame.

Representando o Terreiro de Umbanda Reino das Almas, Luiz de Araújo assegurou que a iniciativa será fundamental para o fortalecimento das famílias da comunidade, principalmente se tratando do combate à insegurança alimentar. “Quando a gente tem na nossa comunidade animais e plantas para cuidar, a gente também está cuidando do que é sagrado para nós dentro da nossa religião. Além disso, a gente vai garantir soberania alimentar para as pessoas, porque a gente vai produzir alimento não só para vender, mas também para distribuir para a comunidade. Então são sistemas que vão garantir alimento para muita gente. Poder tirar a fome de pessoas já é algo maravilhoso”, concluiu Pai Luiz de Xangô.

A agricultora Luciene da Silva Nascimento, da Horta Comunitária do Kadija, falou sobre a expectativa de aumento da renda das famílias participantes. “Eu fiquei muito feliz por essa iniciativa. Vai ser uma renda a mais e eu creio que vai contribuir para a gente poder ter uma vida mais digna, poder alimentar melhor os nossos filhos, nossos netos. Então a gente vai abraçar com muito carinho esse projeto”, relatou a agricultora.

Capacitação e acompanhamento técnico

Além da implantação das unidades produtivas, o município também contará com capacitações e acompanhamento técnico voltados ao desenvolvimento das atividades nos territórios contemplados. O processo será conduzido pelo Centro de Convivência e Desenvolvimento Agroecológico do Sudoeste da Bahia (Cedasb), organização vencedora da licitação para execução da tecnologia social em Vitória da Conquista.

Segundo a engenheira agrônoma Helena Paula Moraes, o trabalho terá duração de 18 meses e começará pela formação das equipes técnicas e mobilização das comunidades participantes. “Esse é um processo que começa com a capacitação técnica e, depois, segue para as mobilizações e implantação do Sisteminha nas comunidades contempladas. Para nós, do Cedasb, é de suma importância, trabalhar junto ao Sisteminha. É uma iniciativa que vai fortalecer ainda mais a segurança alimentar no nosso município”, ressaltou a engenheira.

A atividade de integração contou com a participação de representantes das secretarias municipais de Desenvolvimento Social (Semdes), de Relações Institucionais (Serin) e de Desenvolvimento Rural (SMDR), além de integrantes do Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional (Comsea), do Centro de Convivência e Desenvolvimento Agroecológico do Sudoeste da Bahia (Cedasb), de terreiros de religiões de matriz africana, das quatro hortas comunitárias de Vitória da Conquista e de comunidades quilombolas. Também participaram representantes do Plano Brasil Sem Fome (BSF) do MDS, da Secretaria Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sesan) e da Embrapa Maranhão.