Memorial do Forró estreará no Centro Glauber Rocha com exposição sobre o artista e sua obra

O ano de 2014 ficará marcado pelo primeiro São João sem a presença de Dominguinhos. Em vida, o cantor, compositor e instrumentista ocupou oficialmente o lugar de herdeiro artístico de seu padrinho musical, o insubstituível Luiz Gonzaga. O próprio Gonzaga foi quem lhe concedeu tal honraria. Agora, em Vitória da Conquista, onde se apresentou em várias oportunidades, Dominguinhos – que faleceu em julho de 2013 – sucede ao mestre de outra forma: em 2014, ele se fará presente durante os festejos juninos graças à iniciativa da Prefeitura Municipal, que o escalou como o homenageado da 6ª edição do Forró Pé de Serra do Periperi. Dois anos atrás, o eleito fora Gonzagão.

Segundo o secretário municipal de Cultura, Turismo, Esporte e Lazer, Nagib Barroso, a escolha se deve a uma sintonia de estilos. Afinal, ao longo de cinco décadas de carreira profissional, Dominguinhos sempre defendeu os elementos que o Governo Municipal costuma valorizar ao criar a concepção artística e a programação musical do Forró Pé de Serra do Periperi. “Em seu DNA artístico, ele trazia o autêntico forró tradicional e a música nordestina de qualidade”, explica Nagib.

Alegria e pesar – O rigor com que a Prefeitura elege seus homenageados pode ser avaliado quando se conhece os personagens que ocuparam esse lugar de honra desde a primeira edição do evento, em 2009, quando o primeiro homenageado foi o poeta Patativa do Assaré. De lá para cá, anualmente, a escolha recaiu sobre Jackson do Pandeiro, Sivuca, Luiz Gonzaga e Zé Dantas. Agora, em meio a um clima de alegria e pesar, em função do pouco tempo decorrido de seu desaparecimento, é a vez de “Seu Domingos”. “Nada mais justo do que homenagear o nosso Dominguinhos, sucessor de Luiz Gonzaga, que fará muita falta nos nossos festejos juninos”, comenta Nagib.

Além da homenagem a Dominguinhos, a 6ª edição do Forró Pé de Serra do Periperi traz outras novidades. Será a primeira vez que o evento será realizado no Centro Glauber Rocha Educação e Cultura, local que, daqui por diante, terá entre suas funções a de sediar os eventos musicais promovidos pelo Governo Municipal. Depois de cinco anos sendo montado na Casa Memorial Régis Pacheco, o Memorial do Forró também será transferido para a nova sede, assim como a Vila Junina.

Teatro, música e surpresa – A concepção artística do Memorial para este ano é calcada na homenagem a Dominguinhos. Assim que for ao centro cultural, a população poderá conferir uma maquete que representará um pout-pourri de várias músicas do artista, assim como também alguns elementos que contam um pouco de sua vida. Haverá ainda painéis sonoros, com chocalhos, sinos e outros objetos, que permitirão que os visitantes interajam com a exposição.

O Memorial trará também um auto com marionetes, representando o espetáculo “História da Princesa da Pedra Fina”, um tradicional conto de cordel que era muito apreciado por Dominguinhos. Canções do artista serão referenciadas por meio de um casal de bonecos, inspirados no estilo do Mestre Vitalino, que “dançarão” ao som de “Eu só quero um xodó”. A canção “As sete meninas”, será lembrada na reprodução de uma cerca que, ostentando bonecas de pano, terá a função de dar as boas vindas ao público visitante. Outra novidade será uma instalação audiovisual, cujo conteúdo será uma surpresa que só poderá ser conferida no dia em que o Memorial do Forró for aberto à visitação da comunidade.

Dominguinhos – José Domingos de Morais nasceu no dia 12 de fevereiro de 1941, em Garanhuns, agreste de Pernambuco. Foi lá que conheceu Luiz Gonzaga, quando ainda era criança e se apresentava ao lado dos irmãos num hotel da cidade, no qual o “Rei do Baião” estava hospedado. Anos depois, em 1954, foi para o Rio de Janeiro, ao lado do pai, numa viagem de “pau-de-arara” que durou onze dias. Lá, voltou a encontrar-se com Gonzaga, que o convidou a tocar no grupo que o acompanhava. Em 1957, ganhou do padrinho o nome artístico de “Dominguinhos”. Nesse mesmo ano, participou de sua primeira gravação profissional, ao tocar sanfona para Gonzagão na música “Moça de Feira”.

De seu primeiro álbum solo, “Fim de Festa”, de 1964, até o último, Iluminado, de 2010, Dominguinhos conseguiu seguir uma trajetória com características próprias, ao mesmo tempo em que mantinha a identificação com Gonzaga. Diversificou seu estilo, mantendo-se fiel ao baião, ao xote e ao forró, mas também se enveredando pelos caminhos do choro, do jazz e da bossa nova. Gravou ao lado importantes figuras da música brasileira, como Raimundo Fagner, Gilberto Gil, Chico Buarque, Anastácia e Djavan. Morreu em 23 de julho de 2013, aos 72 anos, em decorrência de complicações posteriores a um câncer de pulmão.