Cerca de 150 pessoas, entre pequenos e médios produtores rurais, e estudantes de agronomia e de medicina veterinária, passaram a manhã desta quinta-feira (24) na fazenda La Paloma, próxima ao bairro Lagoa das Flores, onde participaram de um dia de campo, durante o qual conheceram técnicas sobre como tornar mais eficiente a produção de leite.

A atividade fez parte da programação da 1ª Semana do Produtor de Leite, iniciada na terça-feira (22) e com atividades previstas até sexta-feira (25). A fim de promover o evento, criado por lei apovada pela Câmara de Vereadores, a Prefeitura de Vitória da Conquista, por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Rural, teve como parceiros o Sebrae, Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e Associação de Produtores de Leite do Sudoeste da Bahia (Aprolsuba) .

O técnico do Senar, Fábio Martins, falou sobre reserva estratégica e formas de armazenamento do alimento do gado

A fazenda La Paloma sediou o Dia de Campo por ser considerada um modelo nesse tipo de produção. A propriedade possui área de 80 hectares, dos quais 16 são reservados ao manejo do gado leiteiro. Ao todo, são 110 cabeças de gado, sendo que 45 são vacas em lactação. Todo o trabalho de ordenha é feito de forma simples, sem grandes inserções tecnológicas.

O proprietário Fernando Aguiar e sua equipe dedicam grande atenção à alimentação das reses e à forma como se elabora a produção da fazenda, de modo que haja um estoque permanente e diversificado de fontes de alimento para o gado. “A cada dia, estamos fazendo alguma coisa a mais, melhorando, melhorando”, contou Aguiar aos visitantes. Com isso, as vacas produzem entre 900 e 1.100 litros de leite por dia. “Isto é eficiência gerencial”, avaliou Fábio Martins, do Senar. “A base de tudo isso é dieta, é alimento”, acrescentou.

Importante aprender isso

No dia de campo, os participantes foram divididos em três grupos que se alternaram, passando por três diferentes “estações”. Em cada uma delas, técnicos do Senar traziam informações sobre técnicas específicas de manejo com a alimentação do gado leiteiro. Na primeira, Luana Pio tratou da nutrição do rebanho e da mineralização. Na segunda, a cargo de Alaércio Oliveira, o tema foi o trato com as bezerras e novilhas. Na terceira, Fábio Martins falou aos participantes sobre reserva estratégica e formas de armazenamento.

Nesta última, o conteúdo incluiu a identificação de áreas na propriedade que sejam dedicadas à plantação e à colheita, de forma que o alimento produzido ali esteja disponível o ano inteiro – sobretudo, nos meses em que a seca reduz a quantidade e a qualidade dos pastos. “Esta parte é muito importante, porque ela determina a quantidade de leite que a fazenda vai produzir. E também o bem-estar do animal e tudo o mais. Daí, é importante para a gente aprender isso hoje”, observou a estudante Vitória Saraiva, 20 anos, que cursa Agronomia na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb).

Vitória Saraiva, estudante de Agronomia da Uesb

Troca de conhecimentos

Segundo o secretário municipal de Desenvolvimento Rural, Luís Paulo Santos, é importante que o público do município se habitue à presença de um evento como a Semana do Produtor de Leite na programação de Vitória da Conquista. “O intuito é trazer novas normas, novas tecnologias e inovações para os pequenos e médios produtores de leite, e também os alunos dos cursos de Agronomia e Veterinária”, afirmou.

A ideia do dia de campo, de acordo com o coordenador de Fomento à Agricultura Familiar da SMDR, Eduardo Castro, é que haja um compartilhamento de conhecimentos sobre criação de gado leiteiro. “Esta fazenda tem um padrão de produção e de instalações que podem ser replicadas pelo pequeno agricultor. E nós os trouxemos aqui para ver o modelo de sucesso que eles podem levar para aplicar em suas propriedades”, explicou.

“A propriedade de leite tem que se construir assim”, avaliou George Augusto Glass, produtor e presidente da Aprolsuba. “Visitando, observando e aprendendo com os erros e s acertos dos colegas. Por isso, é importante que se promova essa interação e essa troca de conhecimentos e experiências”.

George Augusto Glass, produtor e presidente da Aprolsuba