Equipes da PZO e do Núcleo de Projetos com a cápsula do tempo e a muda de ipê

No final da tarde desta sexta-feira (21), penúltimo dia da 19ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, um drone sobrevoou rapidamente os mais de trinta estandes instalados no pátio do Centro Cultural Glauber Rocha. O aparelho fez um voo rápido, deslocando-se no ar por algumas dezenas de metros, e transportando em sua estrutura um objeto cilíndrico de aparência metálica.

Cápsula foi enterrada a quase um metro de profundidade

Alguns minutos depois, quando o drone aterrissou num jardim em frente à sede da Prefeitura da Zona Oeste (PZO), membros das equipes da PZO e do Núcleo de Projetos mostraram o objeto ao público: a cápsula do tempo – um tubo de PVC com cerca de meio metro de extensão e 20 centímetros de diâmetro. No interior do tubo – ou melhor, da cápsula – mais de 300 pedaços de papel nos quais estudantes, professores, gestores públicos e visitantes do evento, em geral, responderam à seguinte pergunta: “O que você espera de inovação para Vitória da Conquista em 2032?”

Depois de lacrada, a cápsula foi enterrada numa cova com quase um metro de profundidade. No mesmo local, foi afixada uma placa que informa a data em que o objeto será desenterrado: dia 21 de outubro de 2032 – ou seja, daqui a exatos dez anos. É como se a cidade enviasse uma correspondência a si mesma, para abri-la somente uma década depois.

Bem ao lado da placa, também foi plantada uma muda de ipê. Quando a cápsula for desenterrada, essa pequena planta já será uma árvore adulta, podendo atingir oito metros de altura.

“Nossa intenção é despertar entre os alunos, professores, colaboradores e gestores públicos, uma visão futurística e colocar essa expectativa, esse desejo, do que se espera para Vitória da Conquista em termos de inovação”, informou Val Cordeiro, coordenador do comitê gestor da PZO.

Drone transportou a cápsula até o jardim da PZO

Expectativas e desejos

A estudante Helen Rocha terá 31 anos no dia em que a cápsula do tempo for desenterrada e aberta. Atualmente no 4º semestre do curso de Biotecnologia da Universidade Federal da Bahia (Ufba), ela integra a equipe de um projeto de pesquisa e extensão, por meio do qual foi convidada a participar da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia.

Helen não se importou em compartilhar o que escreveu no papel que depositou na cápsula: “Quero inovações na saúde, na educação e nos serviços públicos, melhores condições de trabalho, reconhecimento da ciência, valorização dos trabalhadores. E melhorias nas praças públicas, não só de alguns bairros, mas de todos”.

Helen, estudante de Biotecnologia da Ufba, quer ver inovações em diversos setores daqui a dez anos

A prefeita Sheila Lemos, que não pôde participar do ato de enterro da cápsula por questões de agenda, também fez questão de enviar suas expectativas para serem depositadas junto com as de Helen e as de todos os outros. A gestora disse desejar que, nos próximos dez anos, haja investimento no uso de energias renováveis em Vitória da Conquista. “Que os nossos ônibus de transporte coletivo sejam todos movidos a energia limpa que não polua o meio ambiente. Que Deus nos proteja!”, escreveu Sheila.

Daqui a dez anos, ambas saberão se suas expectativas e seus desejos foram atendidos.

A prefeita Sheila Lemos deseja para Conquista investimentos em “energia limpa que não polua o meio ambiente”

Soluções inovadoras para o dia-a-dia

O drone que transportou a cápsula do tempo foi criado por expositores ligados à Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb), que atua como parceira da Prefeitura de Vitória da Conquista na realização da 19ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia. Entre os participantes, há mais de trinta instituições de ensino, entre universidades, faculdades públicas e privadas e empresas da área de tecnologia.

Após dois anos de ausência, em razão da pandemia da Covid-19, o evento retornou com o tema “Bicentenário da Independência: 200 anos de ciência, tecnologia e inovação no Brasil”. Pela primeira vez, a Semana é realizada de forma centralizada, reunindo todas as instituições participantes num único ambiente – o que lhe reforça as características de “feira de ciências”.

Nos 32 estandes, professores e estudantes apresentam resultados de pesquisas e projetos desenvolvidos nas instituições de ensino – a exemplo do drone-mensageiro, de sistemas destinados a facilitar o cotidiano das pessoas, robôs com diferentes funções, entre outros. “Se você fizer uma trilha por aqui, vai ver que existem soluções inovadoras feitas por meninos de dez, quinze, dezesseis anos. A ideia é fazer essas crianças e adolescentes pensarem fora da caixa. Para amanhã, ou depois, esse produto vai ser útil para a comunidade”, avaliou a coordenadora do Núcleo de Projetos, Rosênia Tavares.

Tecnologia afetando as pessoas

Taynan e Enzo, alunos do Cetep, observam robôs expostos no estande do Colégio Paulo VI

É também o que pensa o estudante Taynan Pereira, 19 anos, que cursa o 3º ano do curso de Técnico em Informática no Centro Territorial de Educação Profissional de Vitória da Conquista (Cetep). Taynan desenvolveu um robô cuja principal finalidade é a prática de sumô. No entanto, ele identifica outras utilidades para a sua criação, além de lutar contra outros robôs. “Isso vai trazer um incentivo para as pessoas entenderem como é um robô hoje. É importante elas saberem disso, porque os robôs podem ajudar até pessoas que têm problemas de depressão e ansiedade. E é uma coisa tão bonita de se fazer… Dá trabalho, mas quando você faz um robô, você fica muito alegre. Eu, mesmo, fiquei muito alegre. Foi a primeira vez que eu fiz um robô na minha vida”, exultou o estudante.

Evento reuniu 32 estandes de várias instituições de ensino e empresas do ramo

Taynan acrescenta que considera necessário que as escolas públicas recebam maiores investimentos em tecnologia, de forma a permitirem que seus alunos possam criar inovações como a que ele desenvolveu. “Aposto que quando terminar este evento, as pessoas vão ter mais incentivo para conhecer um robô e saber como se faz. Na minha opinião, todas as escolas tinham que ter esse incentivo. A gente mexe com matemática, lógica, ciência…”

O colega Enzo Lacerda, 16 anos, aluno do 1º ano do mesmo curso no Cetep, mostrou que pensa da mesma forma a respeito do potencial de um evento como a Semana de Ciência e Tecnologia. “Uma experiência fantástica. Primeiro, porque os alunos do primeiro e do segundo ano nunca tinham trabalhado com nada disso”, avaliou. “Para mim, isso deveria acontecer mais vezes. E, este ano, foi algo que inovou. Foi maravilhoso”, concluiu.