Papo de Cinema com Marcelo Miranda, Kauan Oliveira, Marcelo Lopes e José Dumont

A 13ª edição da Mostra Cinema está chegando ao fim. Quando começou, no último domingo (4), o público se reuniu no Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima para a abertura, disputando o impresso com a programação completa e já listando os filmes que teriam condições de assistir ao longo da semana.

“Estou muito interessada em assistir aos filmes e curtas que falam sobre a realidade brasileira”, revela a professora Larissa Scherer, na fila para sua primeira sessão na Mostra. “A gente sabe que o cinema nacional acaba por precisar desses momentos de mostra, para que o público em geral tenha acesso ao que é nosso”, completa a estreante.

Ser essa janela para a atual produção do cinema brasileiro foi o que norteou o curador do evento. “A grande característica da Mostra é a de permitir que trabalhos que ficam fora do circuito de Vitória da Conquista possam ser vistos por uma plateia interessada em cinema brasileiro, mas que é privada disso por um sistema de exibição que elimina boa parte da produção nacional”, destaca o jornalista Marcelo Miranda, responsável pela seleção dos filmes.

Além de ter acesso a essas novas produções, o público que prestigiou a Mostra teve a oportunidade de encontrar com diretores, roteiristas, produtores e atores envolvidos nos filmes exibidos. Cerca de 30 convidados estiveram em Conquista para participar do evento. Foi a possibilidade do encontro que reuniu, no mesmo palco, por exemplo, o ator José Dumont (“Tungstênio”), com quase 50 anos de carreira, e o jovem diretor Kauan Oliveira (“Próxima Parada: Suíça”), de 19 anos, estudante do IV semestre de Cinema da Uesb.

“A Mostra nos permite não só ver, mas ouvir e falar de cinema. Estou muito feliz. É bastante gratificante poder estar aqui e, melhor, com o José Dumont! Capaz da minha família fazer até um cartaz com a foto: ‘Kauan esteve com o Zé Dumont’”, brinca. Para o veterano, a oportunidade de encontrar com o público é fundamental, tanto para o ator quanto para quem está por trás das câmeras. “A gente trabalha pra eles, depende do aplauso dele, da opinião, da crítica. Tanto a crítica, quanto o aplauso, é um aprendizado. A gente precisa se colocar no lugar dele, pois o cinema, a arte de um modo em geral, precisa tanto de público, pois se luta para que seja uma coisa popular”, afirma o Seu Ney, personagem ao qual dá vida em “Tungstênio”.

O ator José Dumont

“O espaço foi maravilhoso, foi muito bom o debate. Ao que me parece, pelo que vi, a Mostra é espetacular. Ter esse espaço, realmente coletivo e de altíssimo nível, para mostrar o seu trabalho, isso é muito bacana”, avalia o ator. “Esse apoio que é dado à cultura é fundamental para que a gente continue fazendo o nosso trabalho. A gente sabe que sem os apoios, das autoridades, dos patrocinadores, da imprensa, é impossível se fazer uma obra como essa Mostra”, reconhece.

MADE IN CONQUISTA – Entre os 50 filmes que foram selecionados para a programação, 29 são curtas-metragens, sendo que sete deles são documentários produzidos em Vitória da Conquista. “Às vezes a gente produz muito na academia e não tem o lugar que vai exibir, aí ficam muitos trabalhos engavetados. Quando a Mostra dá essa abertura para o material produzido na cidade é uma iniciativa de fomento, incentiva a produzirem cada vez mais, isso é muito importante para a valorização da produção local”, ressalta o diretor do curta “Solo Seco e Rachado”, Daniel Leite.

Para o professor do curso de Cinema da Uesb, Rogério Oliveira, essa ocupação da cidade, na Mostra, por meio de documentários é muito positiva. “É muito natural esse caminho de iniciar pelo documentário. Existe uma facilidade de produção, comparando com a ficção, que propicia uma liberdade de experimentação. Mas, é interessante perceber que os alunos, participando das mostras e festivais, voltam cada vez mais motivados para fazer suas ficções, vão se contagiando com a experiência de ver outras ficções e querer começar a fazer também”, explica.

Oficina sobre o processo de montagem cinematográfica

Mais que uma motivação, a Mostra Cinema Conquista é também um referencial para a formação de quem está começando a produzir filmes. O evento possui uma programação acadêmica composta por conferências, debates, lançamentos de livros, curso e oficinas. “O nosso interesse não é apenas exibir filmes, mas também discutir esse cinema e permitir ao espectador que vem para a Mostra ampliar sua formação em cinema e audiovisual”, afirma o coordenador de atividades acadêmicas e formação, Euclides Santos Mendes. Nesta edição, foram realizadas cinco conferências, lançamento de três livros, duas oficinas e um curso, além dos momentos de bate-papos com diretores e atores.

A mineira Maíra Avelar, residente em Conquista há quase cinco anos, sempre participa da Mostra e vê na sua formatação um envolvimento com a cidade. “Conquista, como toda cidade do interior, carece de uma cultura de cinema. Como um evento gratuito, o que é muito importante, ela traz uma grande oportunidade. A gente vê crianças, de escolas municipais, participando, então há uma mobilização da cidade entorno da Mostra e isso é bastante importante culturalmente”, analisa.

Concordando com ela, o jornalista Jeremias Macário deseja vida longa à Mostra Cinema Conquista. “É de muita importância essa atividade cultural para Conquista, principalmente para a juventude, que precisa despertar para o que está acontecendo em termos de cultura. Essa é uma mostra que nunca deve deixar de existir em Vitória da Conquista”, sustenta.

Produções nacionais atraem conquistenses para a Mostra

O encerramento da Mostra Cinema Conquista será nesta sexta (9), às 20 horas, com a exibição dos documentários “Liberdade” (2018) e “Dr. Ocride” (2018).

A Mostra Cinema Conquista – Ano 13 tem o apoio cultural da TVE Bahia, TV Sudoeste, Educandário Padre Gilberto, Tia Sônia, Schin, Academia Conquistense de Letras, Casa da Cultura e Televoz – NET/Claro. Recebe o apoio institucional da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, através do Curso de Cinema e Audiovisual, Programa Janela Indiscreta e Sistema Uesb de Rádio e TV Educativas; do Instituto de Radiodifusão do Estado da Bahia (IRDEB); da Diretoria Audiovisual do Estado (DIMAS); e do Centro de Cultura Camillo Jesus. A Mostra Cinema Conquista é uma realização do Instituto Mandacaru de Inclusão Sociocultural. Tem o apoio financeiro da Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista e Governo do Estado, através do Fundo de Cultura, Secretaria da Fazenda e Secretaria de Cultura da Bahia.