Marielson expulsando o jogador do Botafogo, Aírton, por ter pisado no atacante do São Paulo, Alexandre Pato. (Foto: Adalberto Marques / Ag. Estado)

Marielson Alves Silva é servidor municipal de Vitória da Conquista há seis anos, mas bem antes disso ele já se dedicava a outra função que começou como diversão juvenil e se tornou profissão: a arbitragem. Com 32 anos de idade e 18 anos de experiência, o árbitro central Marielson faz parte da equipe de arbitragem da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), desde 2008, quando começou a apitar jogos da Série C do Campeonato Brasileiro e da 1ª Divisão do Campeonato Baiano.

Este ano, aconteceu sua estreia como árbitro principal na Série A na partida entre Botafogo e São Paulo. O jogo foi realizado, no último dia 10, no Estádio Mané Garrincha, em Brasília. Segundo o conquistense, estar no comando de um jogo entre duas grandes equipes com jogadores consagrados deu “um frio na barriga”. “Foi um jogo difícil, mas a equipe de arbitragem soube administrar a partida e graças a Deus deu tudo certo. A experiência foi muito boa e, agora, é só dar continuidade”, comentou.

O objetivo de Marielson é fazer parte do quadro de árbitros da Federação Internacional de Futebol Associado (Fifa). Para isso, estudou espanhol e, atualmente, faz inglês; treina o próprio condicionamento físico, executando diariamente uma série de exercícios e participa dos cursos para árbitros oferecidos pela Federação Baiana de Futebol (FBF) e pela CBF.

“Tenho o apoio da Administração”, contou Marielson

Além dos estudos e dos treinamentos, Marielson trabalha na Secretaria Municipal de Administração da Prefeitura de Vitória da Conquista e viaja por todo o Brasil, conforme assegurado pela Lei Pelé (Lei nº 9.615/1998), apitando jogos das séries A, B, C e D do Campeonato Brasileiro e da Copa do Brasil. Em 30 dias, ele já esteve no Rio Grande do Norte, Alagoas, Distrito Federal, Ceará e no último sábado, 27, esteve em Pernambuco apitando a sua segunda partida pela série A, entre o Sport e o Cruzeiro.

“Tenho a credibilidade e o apoio que a Administração Municipal me dá. Além disso, aonde vou, represento minha cidade. Me sinto muito satisfeito e, com isso, dá para conciliar ambas as profissões”, revelou Marielson.

De jogador a juiz – Como a maioria dos meninos brasileiros, Marielson começou jogando bola. Ele participava da Escolinha de Futebol Nova Geração, criada pelo seu pai, Jeová Santos Silva, que atendia garotos na faixa etária de 12 anos acima. Pouco tempo depois, o pai resolveu atender crianças com menos idade e, não podendo apitar e orientar os jogadores ao mesmo tempo, ele pediu a Marielson para auxiliá-lo na arbitragem. Então, aos 14 anos de idade, Marielson começou a desenvolver aquilo que seria sua paixão e carreira.

O bom trabalho realizado em jogos no município e região chamou a atenção da FBF que, em 2002, o convidou para fazer um curso de arbitragem profissional, oferecido pela Universidade Católica de Salvador (Ucsal). Depois de um tempo afastado da arbitragem, aos 24 anos, Marielson retornou ao trabalho nas principais competições juniores e no Intermunicipal Baiano.