Para Luciano, é uma satisfação realizar esse trabalho

Equipamento é doado para pacientes carentes, mediante triagem médica

Quando as temperaturas caem, entre os meses de junho e setembro, o tempo fica mais seco e as crianças são as que mais sofrem. É coriza, tosse, espirro, dificuldade para respirar. As recepções dos prontos socorros e dos consultórios pediátricos lotam.

Para ter ideia, se em janeiro de 2018, o Pronto Atendimento (P.A) Pediátrico do Esaú Matos registrou 1.529 atendimentos. Em julho do mesmo ano, foram 2.160, entre consultas (simples e com observação), internamentos e transferências. E para cada infecção respiratória, um tratamento.

Quando o quadro é de asma ou bronquite, por exemplo, há um importante aliado para ajudar os pequenos a respirar melhor: o espaçador. O equipamento é um tubo plástico acoplado entre o inalador (a conhecida, bombinha) e a boca da criança e que facilita a absorção do medicamento.

Porém, nem todos os pacientes têm condições de adquirir o espaçador para continuar o tratamento em casa. Pensando nisso é que o auxiliar de gerência da Farmácia do Esaú, Luciano Rodrigues, desenvolve espaçadores infantis artesanais que são doados para pacientes carentes, mediante triagem médica.

“A ideia foi sugerida pelo pediatra Nivaldo Burgos”, lembra Luciano. No início, Luciano fabricava os espaçadores a partir do reaproveitamento da embalagem de soro. Entretanto, com o tempo e a ida dele para a Farmácia, o material que serve de base para o espaçador foi aperfeiçoado.

Espaçadores são fabricados a partir do chamado “selo d’água”

“Passei a usar alguns selos d’água do sistema mediastinal, disponibilizados pela Coordenação da Farmácia. Eles têm o tamanho exato do espaçador industrializado. Fiz o teste e deu certo. Até para esterilizar é mais fácil por conta do plástico que é mais rígido”, conta.

O cuidado e dedicação que Luciano tem na fabricação desses espaçadores artesanais chamam a atenção. O corte, que é feito no selo, tem de ser bastante preciso para que fique na altura da bombinha e ajustado à máscara. “Tudo para que a medicação não seja perdida”, explica.

“Já trabalhei no P.A da Pediatria. Então, via os pais serem atendidos, a médica passar o remédio e eles não terem o dinheiro para comprar o espaçador e fazer o tratamento adequado quando saíam e retornarem ao hospital. Por isso, pra mim é uma satisfação fazer os espaçadores”, destacou Luciano que há 15 anos trabalha no hospital.

Para o diretor da Fundação de Saúde que administra o hospital, Felipe Bittencourt, a atitude de Luciano merece destaque. “É interessante quando temos no serviço público, que é tão carente de recursos, um profissional que dedica criatividade, disposição e tempo para poder buscar alternativas para atender a população, para defender a assistência a quem precisa”, enfatizou.