Espaço de aprendizagem e troca de conhecimentos, as feiras de ciências das escolas municipais incentivam os estudantes a colocar em prática conteúdos trabalhados em sala de aula e a desenvolver a curiosidade, a criatividade e o pensamento científico. Ao todo, 31 unidades estão realizando a atividade, proposta pela equipe pedagógica da Secretaria Municipal de Educação (Smed).

Divididas em duas etapas, as feiras de ciências seguem até o final do mês de agosto, como explicou o coordenador pedagógico de Ciências da Secretaria, Manoel Neres, um dos idealizadores do evento. “A primeira etapa acontece nas escolas. A partir daí, ocorre uma seleção interna, e alguns trabalhos serão enviados ao Núcleo Pedagógico da Smed. Em um segundo momento, vai acontecer uma nova exposição, desta vez, para o município como um todo. Serão momentos de bastante integração. A gente acredita que a ciência é a principal forma de promover o senso crítico, e é por isso que a gente tem trabalhado nessa abordagem”.

Na Escola Municipal Francisco Antônio de Vasconcelos, sede do Círculo Escolar Integrado (CEI) de Cabeceira, na zona rural, o evento, realizado nesta quinta-feira (13), abordou temas como a sustentabilidade e a inclusão, envolvendo professores, alunos e a comunidade local. “Nós, enquanto escola de comunidade quilombola, vimos a ideia como uma oportunidade para discutir e conscientizar as pessoas sobre os impactos ambientais existentes aqui em Cabeceira. Para os alunos, foi o momento de experimentar vivências diferentes que, em sala de aula, nem sempre conseguimos trabalhar”, destacou o diretor, Alisson Sá. 

A turma do 9º ano se destacou ao promover um desfile de moda utilizando materiais recicláveis na confecção das roupas. Segundo Lara Andrade, de 15 anos, a equipe usou materiais como garrafas PET, CDs, jornais, papelão e sacos plásticos para mostrar que eles podem ser reaproveitados de diferentes formas, contribuindo para a preservação do meio ambiente.

“Achei muito inovador trazer essa ideia de fazer um desfile com materiais recicláveis. Todos da turma participaram e ajudaram na produção. Foi uma atividade diferente das aulas que a gente costuma ter e a ideia era mostrar para as pessoas que aquilo que a gente joga fora pode virar coisas incríveis”, disse ela. 

Espaço de valorização da cultura e da história local, a feira também reforçou o papel da escola na preservação das tradições locais. Para Nailda Ramos, moradora da comunidade quilombola Alto da Cabeceira, o momento foi bastante especial. “É muito bom porque a gente participa da escola, vem para ver os filhos, os netos e também para o resgate da nossa história. A gente fica muito satisfeita em ver essa união”.

Na zona urbana, a Escola Municipal Carlos Santana também teve a sustentabilidade como foco, incentivando os estudantes a desenvolverem projetos a partir de situações observadas em Vitória da Conquista. Entre os trabalhos estava o do grupo de Nicolas Furtado, de 16 anos. A iniciativa, que contou com uma maquete e materiais impressos em 3D, estudou, ao longo dos últimos meses, a diferença climática entre a parte urbana e as áreas de vegetação, como o Poço Escuro.

Escola Municipal Carlos Santana

“A ideia surgiu quando a professora começou a trabalhar com a gente sobre o clima. A gente já sabia que existia diferença de temperatura entre os ambientes e decidiu pesquisar mais. Fomos até o Poço Escuro com um aparelho que nós mesmos desenvolvemos, usando uma placa e um sensor que mede a temperatura e a umidade do ar. Nesse processo, a gente também aprendeu um pouco sobre programação. Depois, foi só comparar os dados coletados nos dois ambientes”.

Já as colegas Valentina Ferreira e Yanna Lavigne, de 13 anos, trouxeram para a feira a importância da conscientização e do combate ao Aedes aegypti. “Esse projeto sobre a dengue é muito importante porque ajuda a gente a aprender mais sobre a doença, como prevenir e o que fazer para evitar a proliferação do mosquito. A dengue é uma doença que pode ser muito grave. Então, é importante mostrar para as pessoas como podemos combater o mosquito e evitar a doença”, explicou Valentina.

Na quarta-feira (12), a feira de ciências também movimentou os estudantes e professores da Escola Padre Isidoro, no povoado da Estiva. Para a professora Katarine Fernandes, essa foi uma maneira diferente e lúdica de construir conhecimentos e compartilhar saberes. “O trabalho foi muito importante porque os alunos puderam aprender, na prática, os conteúdos trabalhados em sala, como os níveis de organização da Ecologia, a energia renovável, o combate à dengue e os jogos matemáticos, buscando consolidar o conhecimento e relacionar teoria e prática. Estamos todos muito satisfeitos com os resultados”.