Teve início nesta quinta-feira (5), no bairro Boa Vista, uma mobilização porta em porta para divulgar o projeto piloto de coleta seletiva em Vitória da Conquista. A iniciativa é realizada pela Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Ordem Pública (Semop), em parceria com a Associação de Catadores de Resíduos Sólidos Recicláveis (ACRES) e estudantes do curso de Engenharia Ambiental do Instituto Federal da Bahia (IFBA).

Durante a atividade, os estudantes e catadores do Acres percorreram as ruas do bairro, conversando com os moradores e orientando sobre a separação correta dos materiais recicláveis. A proposta é ampliar a participação da comunidade, aumentar a quantidade de resíduos encaminhados à reciclagem e fortalecer o trabalho dos catadores.

Pelo projeto, os moradores devem separar os materiais recicláveis e colocá-los na porta de casa às segundas e sextas-feiras, a partir das 7h. Entre os materiais que podem ser destinados à coleta estão papel, papelão, embalagens plásticas, garrafas PET, latas de alumínio e vidro. A coleta do lixo comum continua normalmente, sem alterações nos dias e horários habituais.

Camila Sodré, gerente da Coordenação de Limpeza Pública, explica sobre os desafios de conscientizar a população e a importância da participação de cada morador. “Esse projeto de porta em porta da coleta seletiva é um projeto-piloto aqui na cidade, inicialmente está acontecendo apenas no Boa Vista, junto com o pessoal da reciclagem da ACRES. E o maior desafio que a gente tem realmente é fazer com que a população entenda a importância de participar. Não adianta a Prefeitura estar com a iniciativa, os catadores estarem passando na rua e o pessoal das casas não separar os recicláveis, colocando na porta, nos momentos corretos”, destaca.

Camila Sodré

A gerente também chama a atenção para os cuidados necessários no acondicionamento dos materiais, especialmente para evitar acidentes durante o manuseio. Vidros quebrados, por exemplo, devem ser colocados dentro de uma garrafa PET e protegidos com fita adesiva, para evitar que os catadores se machuquem. Materiais perfurocortantes não devem ser misturados aos recicláveis.

Além de contribuir para a preservação ambiental, a iniciativa também tem impacto social e econômico. É o que destaca Suzane Torres, estudante do 8º semestre de Engenharia Ambiental do IFBA, que participa das ações de educação ambiental. “Hoje a preocupação com o resíduo é muito grande porque cada cidade vai crescendo e vai aumentando a quantidade de resíduo que cada um gera. Isso é uma preocupação muito grande porque gera mais e o aterro que a gente tem hoje em Vitória da Conquista acaba não conseguindo atender a quantidade. Então, essa preocupação com a destinação, com a gestão, é extremamente importante”, explica.

Suzane Torres

Para Wallace Sousa, catador e presidente da ACRES,  projeto também representa um avanço para os profissionais que trabalham diretamente com a reciclagem. “A coleta seletiva melhorou tanto para a população como para os catadores, porque depois do projeto piloto que começou no bairro a gente viu que, de fato, faz a diferença. A população está interagindo mais, está separando o resíduo, coisas que, quando a gente não tinha o apoio do município, eram meio complicadas. A gente tinha que rasgar o lixo e tudo o mais”, relata.

Wallace Sousa

Para Wallace, o reconhecimento da população também é importante para fortalecer a categoria. “Pra gente significa muito porque a gente não tinha um apoio e hoje a população está enxergando que, de fato, precisa desses agentes ambientais que somos nós, os verdadeiros protagonistas do meio ambiente. Quando a população abraça a ideia e o município também abraça, faz o projeto ir pra frente”, afirma.

Atualmente, segundo o presidente da ACRES, o projeto Mãos que Reciclam, projeto criado pela Defensoria Pública do Estado da Bahia, possui mais de 600 catadores cadastrados, enquanto a associação reúne 48 associados. Ele ressalta que o trabalho dos profissionais está presente em diferentes pontos do município e que a participação da sociedade é fundamental para ampliar os resultados.

A iniciativa busca fortalecer a coleta seletiva, estimular hábitos mais sustentáveis e contribuir para a destinação adequada dos resíduos sólidos, ao mesmo tempo em que valoriza o trabalho dos catadores e fortalece a economia circular.